06:07 22 Agosto 2017
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    General Joseph Votel, chefe do Comando Central dos EUA

    Pentágono: Bombardeio de hospital do MSF no Afeganistão 'não foi crime de guerra'

    © REUTERS/ Kevin Lamarque
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    O general norte-americano Joseph Votel, chefe do Comando Central dos EUA, declarou nesta sexta-feira (29) que o ataque aéreo dos EUA a um hospital dos Médicos Sem Fronteiras em Kunduz, Afeganistão, que matou 42 civis em outubro de 2015, não pode ser considerado um crime de guerra porque "não foi intencional".

    "A investigação concluiu que certos oficiais não cumpriram com as regras de engajamento e com a lei do conflito armado; no entanto, o inquérito não concluiu que essas falhas constituiram um crime de guerra", disse Votel, em briefing à imprensa.

    Os EUA tomaram medidas administrativas e disciplinares contra os indivíduos envolvidos no caso, sublinhou o oficial.

    "A investigação identificou 16 membros do serviço dos EUA cuja conduta garantiu consideração para uma ação administrativa ou disciplinar apropriada, entre eles um general", repetiu Votel.

    De acordo com o relatório do Pentágono, os militares envolvidos no bombardeio — que deixou 42 mortos dentro do hospital onde estavam mais de 200 pessoas — não sabiam que estavam alvejando um centro médico.

    "Eles estavam tentando fazer a coisa certa. Eles estavam tentando apoiar os nossos parceiros afegãos", disse Votel. "Infelizmente eles fizeram um julgamento errado, neste caso particular, e acabaram alvejando esta instalação dos Médicos Sem Fronteiras", argumentou. 

    Em 3 de outubro de 2015, aeronaves de combate AC-130 fez disparos de canhões 30mm durante 30 minutos sobre o hospital do MSG na cidade afegã de Kunduz, matando mais de 40 profissionais de saúde e pacientes, incluindo crianças.

    Depois do ataque, o MSF classificou o incidente como um crime de guerra. O comandante das forças dos EUA no Afeganistão, general John Campbell, disse mais tarde que o bombardeio foi um erro evitável causado por erro humano.

    A administração Obama pediu desculpas pelo incidente e prometeu compensar as famílias dos mortos.

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