15:11 26 Setembro 2017
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    General curdo Lokman Serefhani (terceiro da esquerda) junto com outros combatentes de Peshmerga

    Peshmerga diz que participará da liberação de cidade-chave do Daesh no Iraque

    © Sputnik/ Hikmet Durgun
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    Pressupõe-se que a milícia curda Peshmerga, no Curdistão iraquiano, tomará parte da operação de liberação de Mossul dos militantes do Daesh cuja preparação neste momento é realizada pelo exército iraquiano junto com as forças da coalizão antiterrorista.

    Esta informação foi dada por um dos comandantes do Peshmerga, general Lokman Serefhani, em uma entrevista à Sputnik.

    “Eu me aposentei do Peshmerga no posto de general. Depois disso fui para o Reino Unido, mas em 2014, quando os militantes do Daesh atacaram o território curdo, eu enviei um apelo ao comando do Peshmerga solicitando o retorno ao serviço ativo. O meu pedido foi aceito e neste momento estou no Peshmerga no posto de general”, informou o comandante.

    O militar confessou que não teve outro remédio senão fazer isto porque “os terroristas do Daesh matam todos — mulheres, crianças e idosos”.

    Combatentes de Peshmerga no Iraque
    © Sputnik/ Hikmet Durgun
    Combatentes de Peshmerga no Iraque

    “Pretendemos limpar a região curda da presença do Daesh e estamos prontos a lutar para isto até ao fim. Se pararmos a luta, os jihadistas podem conquistar os nossos territórios mais uma vez”, declarou.

    Neste momento o exército do Iraque prepara-se para uma ofensiva contra a cidade de Mossul, um dos bastiões do Daesh no Iraque. As tropas curdas estão prontas a ajudar o governo central na luta contra o inimigo comum:

    “Ainda não sabemos exatamente como iremos participar da liberação de Mossul. Sobre esta questão estão sendo travadas negociações com o governo central iraquiano. Nós não vemos nenhum obstáculo para a participação das forças do Peshmerga na operação de Mossul. Queremos que o governo central iraquiano tome uma posição resoluta na questão da liberação de Mossul, onde vivem muitos curdos. As forças do Peshmerga querem liberar a população de Mossul da opressão dos militares do Daesh. Estamos prontos a executar qualquer ordem”, disse o general Lokman Serefhani. 

    O grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia e reconhecido como terrorista pelo Brasil) autoproclamou-se "califado mundial" em 29 de junho de 2014, tornando-se imediatamente uma ameaça explícita à comunidade internacional e sendo reconhecida como a ameaça principal por vários países e organismos internacionais. Porém, o grupo terrorista tem suas origens ainda em 1999, quando um jihadista da tendência salafita, o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, fundou o grupo Jamaat al-Tawhid wal-Jihad. Depois da invasão norte-americana no Iraque em 2003, esta organização começou a se fortalecer até transformar-se, em 2006, no Estado Islâmico do Iraque. A ameaça representada por esta entidade foi reconhecida pelos serviços secretos dos EUA ainda naquela altura, mas reconhecida secretamente, e nada foi feito para contê-la. Como resultado, surgiu em 2013 o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que agora abrange territórios no Iraque e na Síria, mantendo a instabilidade e fomentando conflitos.

    Não há uma frente unida de combate contra o Daesh: contra o grupo lutam as forças governamentais da Síria (com apoio da aviação russa) e do Iraque, a coalizão internacional liderada pelos EUA (limitando-se a ataques aéreos), assim como milícias xiitas libanesas e iraquianas. Uma das forças mais eficazes que combatem o Daesh são as milícias curdas, tanto no Curdistão iraquiano, como no Curdistão sírio.

    Tags:
    exército, Daesh, Peshmerga, Curdistão iraquiano, Mossul, Iraque
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