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    Segundo relatório, 67 por cento dos presos no Brasil são negros e 56 por cento são jovens

    Estado de emergência nas prisões de El Salvador evoca massacres na América Latina

    Marcos Santos/USP Imagens
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    El Salvador declarou estado de emergência em sete prisões do país nesta terça-feira (29) e transferiu 299 prisioneiros de alta periculosidade, como parte das "medidas extraordinárias" que o governo prometeu tomar para combater a violência do crime organizado.

    ​Um pacote de medidas adicionais deve ser apresentado ao Legislativo do país latino-americano nesta quarta-feira (30). Por enquanto, a declaração do estado de emergência por parte do Estado coloca os presidiários em isolamento e suspende visitas familiares por 15 dias. 

    Alimentada pelas condições desumanas de sobrevivência nas penitenciárias em geral superlotadas e insalubres da América Latina, a violência entre gangues tem gerado um trágico e quase ignorado padrão de motins e massacres nos presídios do continente ao longo das últimas décadas. Não é difícil lembrar alguns dos casos mais emblemáticos – muitos deles aconteceram no Brasil.

    Carandiru 

    Há 23 anos, no dia 2 de outubro de 1992, o pavilhão 9 do maior presídio da América Latina foi invadido pela tropa de choque da Polícia Militar após uma rebelião entre gangues rivais. Conhecido como massacre do Carandiru, (São Paulo) o episódio resultou, segundo a versão oficial apresentada pelas autoridades da época, na morte de 111 detentos. Sobreviventes, por outro lado, falam em até 250 companheiros mortos.

    Papuda

    Em 17 de agosto de 2000, cerca de 200 detentos munidos de armas artesanais invadiram o Pavilhão B do Presídio da Papuda (Distrito Federal) e atearam fogo em uma cela onde se amontoavam 15 presos. Onze morreram queimados vivos ou sufocados pela fumaça. A chacina teria sido motivada por um ato de vingança e pela disputa pelo controle sobre o tráfico de drogas no complexo penitenciário. 

    No ano seguinte, em 18 de outubro de 2001, um motim envolvendo cerca de 400 presos deixou dois detentos mortos e onze feridos no mesmo local.

    hj infelizmente eu soube de mais um caso na papuda…. um interno que se encontrava no PDF2 bloco E veio a óbito nessa…

    Posted by Maisa Barboza on Wednesday, March 9, 2016

    Urso Branco  

    No primeiro dia do ano de 2002, um confronto entre presos da Casa de Detenção conhecida como Urso Branco (Rondônia) deixou 27 mortos, vários deles torturados, enforcados ou decapitados. O episódio levou à denúncia do Brasil na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA. 

    Rebelião de ontem no Presídio Urso Branco em Porto Velho.Fonte Grupo Whatsapp

    Posted by Maringá Alerta on Wednesday, October 21, 2015

    San Miguel — Chile

    Em dezembro de 2010, um incêndio iniciado durante uma briga de detentos na penitenciária de San Miguel, em Santiago do Chile, terminou com 81 presos mortos. Todas as vítimas cumpriam sentenças curtas, por pequenos delitos como pirataria de DVD e roubos. 

    ​Comayagua — Honduras

    Em fevereiro de 2012, um incêndio matou mais de 350 detentos na Penitenciária Nacional de Comayagua, em Honduras. Houve denúncias de negligência por parte das autoridades carcerárias, dado que a maior parte dos presos morreu em suas celas, sem receber ajuda a tempo. Segundo o chefe do setor penitenciário do país, o fogo foi causado por um detento ou por um curto-circuito, mas os bombeiros afirmaram ter ouvido tiros dentro do prédio em chamas. 

    ​Uribana, Yare e Rodeo — Venezuela

    Em julho do mesmo ano, pelo menos 26 presos perderam a vida em uma guerra de gangues rivais no presídio de Yare, na Venezuela. Um ano antes, em 2011, o país já havia passado por uma rebelião na prisão de Rodeo que deixara quase o mesmo número de mortos. Em 2013, na penitenciária de Uribana, pelo menos 61 reclusos foram mortos em um dos massacres carcerários mais sangrentos da história do país. 

    Pedrinhas

    17 de dezembro de 2013: Complexo de Pedrinhas, o maior presídio de regime fechado do Maranhão, quatro detentos foram mortos após uma onda de violência que vinha desde outubro daquele ano, quando nove presos já haviam sido assassinados. As cenas do massacre foram filmadas pelos próprios presidiários.

    ​Feira de Santana

    Em 24 de maio de 2015, uma rebelião de detentos do Presídio Regional de Feira de Santana (Bahia) resultou em 7 mortos. Cerca de 100 visitantes, em sua maioria familiares dos presos, foram feitos reféns durante a crise, supostamente causada por uma briga entre facções rivais.

    ​Topo Chico — México

    Em 11 de fevereiro deste ano, um dia antes da chegada do Papa Francisco ao México, um violento confronto entre duas das maiores facções criminosas do país, Los Zetas e Cartel do Golfo, resultou na morte de 52 pessoas na penitenciária de Topo Chico (Monterrey). Durante o massacre, presos foram queimados vivos, decapitados, enforcados e atirados do alto das galerias. 

    Em janeiro de 2012, membros dos Los Zetas já haviam matado 31 traficantes do Cartel do Cabo, outra gangue rival dentro de um presídio federal superlotado, e no mês seguinte assassinaram mais 44. 

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