16:32 05 Agosto 2020
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    A Rússia representa a maior ameaça para o mundo depois do Oriente Médio, escreveu o ex-primeiro-ministro da Austrália Tony Abbott em um artigo para a edição australiana do Daily Telegraph.

    Na opinião do político, os países bálticos e a Polônia têm medo de se tornarem as próximas vítimas da "agressão russa", seguindo o exemplo ucraniano. Em seu texto, Abbott chega a citar algumas cifras que, supostamente, evidenciam a proporção da "invasão" russa na Ucrânia.

    "Um país poderoso com tantos problemas e um ditador no comando – é a última coisa de que o mundo precisa" – escreve o ex-premiê australiano.

    Na sua opinião, "atualmente, no leste [da Ucrânia], existe cerca de 60 mil militares ucranianos contra 45 mil rebeldes, incluindo cerca de 10 mil forças especiais russas". Além disso, ele supõe que haja "ao menos 50 mil soldados russos" estacionados próximo à fornteira da Ucrânia.

    Junto a isso, Abbott acredita que o presidente ucraniano Pyotr Poroshenko "tenta com grande dificuldade criar instituições democráticas e com uma economia normal de mercado".

    Ele teme ainda que o mundo "perca o interesse pela Ucrânia justamente num momento em que ela mais do que nunca precisa de apoio".

    "O medo perante Putin faz com que nenhum país se disponha a vender até mesmo armamentos de defesa para a Ucrânia. É dificil de entender por que um legítimo governo democrático, que está sendo ameaçado, não pode receber armamentos que o Ocidente fornece tão facilmente para os mujahideen no Afeganistão" – reclama Abbott.

    O governo da Ucrânia e o Ocidente acusam a Rússia de interferir no conflito interno da região ucraniana de Donbass. No entanto, nenhuma prova sustentando essas acusações foi apresentada até o momento. Moscou garante não ter qualquer ligação com os eventos no leste da Ucrância e declara não fazer parte do conflito. Além disso, o ministério da Defesa da Rússia já negou em diversas ocasiões a suposta presença de militares russos tanto em Donbass, como na fronteira com a Ucrânia. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, tachou as declarações sobre a alegada intervenção militar russa no conflito ucraniano de calúnia e desinformação.

    Em fevereiro de 2014 um golpe de Estado em Kiev promoveu a troca de poder na Ucrânia. Preocupadas com a política das novas autoridades do país, as populações das regiões de Donetsk e Luganks, no sudeste do país, e que juntas formam a região de Donbass, rejeitaram a legitimidade do novo gabinete em Kiev. Em meados de abril de 2014, a Ucrânia deu início a uma operação militar para reprimir de forma violenta os ânimos independentistas.

    A fim de buscar uma solução para o conflito, em 12 de fevereiro de 2015 representantes da Alemanha, Rússia, França e Ucrânia se reuniram na capital da Bielorrússia e determinaram a retirada de tropas e o cessar-fogo completo em Donbass, através da assinatura dos chamados Acordos de Minsk. Representantes de Donetsk e Lugansk, no entanto, têm repetidamente declarado que Kiev viola os acordos.

    Desde 2014, mais de nove mil pessoas foram mortas e outras 20 mil ficaram feridas em razão dos combates no Leste da Ucrânia, de acordo com estimativas das Nações Unidas. 

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