05:55 22 Fevereiro 2018
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    Representante oficial do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova

    ‘Crimeia abandonou a Ucrânia por sua própria iniciativa’

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    Todas as aparições públicas da representante oficial do Ministério russo das Relações Exteriores, Maria Zakharova, tornam-se eventos marcantes, quer sejam eles entrevistas coletivas, entrevistas nos canais televisivos, visitas a exibições ou participação de eventos culturais.

    Sputnik: Quando assumiu o cargo de representante oficial da chancelaria russa começamos a compará-la com a sua colega norte-americana [Jen Psaki]. Isso continua até agora. Você fica ofendida, irritada ou divertida com isso?

    Maria Zakharova: Fazem-me sempre esta pergunta em todas as entrevistas. Tenho uma atitude profissional e filosófica em relação a isso. Compreendo por que tal acontece. É mais simples fazer analogias. Encaro isso como um clichê <…>.

    Quero aproveitar a oportunidade de dizer duas coisas. Quando Jen Psaki estava ao serviço, frequentemente queriam saber a minha opinião sobre o seu trabalho. Todos nós nos lembramos das suas respostas estranhas nas entrevistas coletivas do Departamento de Estado dos EUA. Ao mesmo tempo, nunca apoiei campanhas com críticas em relação a ela ou alguém outro <…>. É preciso responder às avaliações injustas e grosseiras, às vezes estúpidas que ouvimos dos nossos colegas de modo digno, respeitoso, às vezes duro, às vezes na forma de brincadeira. Mas é preciso nunca ultrapassar a linha onde começa uma campanha negra.

    S.: Você conhece Psaki?

    M.Z.: Sim, trabalhei com ela por dois anos, se calhar, um pouco mais. Foram relações construtivas, <…> que não se baseavam no princípio “como fazer algo pior uma a outra”. <…>

    S.: Mais uma pergunta dos leitores: o que significa ser russa?

    M.Z.: É um assunto interessante. Penso nisso frequentemente. Ser emocional, sincera e generosa, em sentido amplo, amar de modo apaixonante e odiar fortemente, mas sempre à sua maneira. Como se costuma dizer, “ser lento a arrear os cavalos, mas rápido na corrida”, tudo isso é ser russo. Resistir à força e amar carinhosamente.

    S.: Festejou a Maslenitsa?

    M.Z.: Com certeza, num dia da semana de Maslenitsa fiz panquecas. As minhas panquecas são especiais: são espessas, não gosto delas finas. <…>

    S.: Pergunta de um leitor da redação polonesa da Sputnik: Quando devolverá a Crimeia à Ucrânia?

    M.Z.: Não tomamos a Crimeia da Ucrânia <…>. Respondo aos leitores poloneses assim: tentem não avaliar tudo de forma simples e não dar avaliações convenientes e unívocas. Compreenda, a Crimeia abandonou a Ucrânia por sua própria iniciativa.

    S.: Os habitantes da Crimeia perceberam que precisavam fazer uma escolha?

    M.Z.: Sim, os habitantes da Crimeia fizeram a sua escolha. A escolha foi feita tendo em conta fatores muito importantes. Primeiro – foi uma escolha histórica, que teve a ver com a escolha dos seus predecessores que habitavam neste território, lutámos por este direito e eles pagaram com suas vidas. Foi uma escolha de respeito pela história das suas famílias. Segundo, foi uma escolha não a favor da Ucrânia, país onde aconteceu uma mudança ilegal de poder, havia um caos total na administração pública, influência externa, total venalidade das autoridades. Terceiro, foi a escolha do seu futuro e do futuro dos seus filhos.

    <…> Muitos europeus não compreendem que não foi a Rússia que tomou a Crimeia, foi a Crimeia que deixou a Ucrânia, como um enteado deixa a família onde nunca foi amado. <…>

    Representante oficial do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, durante a entrevista coletiva semanal, Moscou, Rússia, 25 de fevereiro de 2016
    © Sputnik/ Mikhail Voskresensky
    Representante oficial do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, durante a entrevista coletiva semanal, Moscou, Rússia, 25 de fevereiro de 2016

    S.: Pergunta de um leitor da República Tcheca: Já pensou se poderá vir a ser membro do governo, chanceler ou embaixadora da Rússia nos EUA?

    M.Z.: Nunca pensei em nada disso. Digo-o de forma honesta e sincera. Para mais, nunca pensei tornar-me diretora do Departamento de Informações e Imprensa do Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Para a Rússia, o serviço diplomático sempre foi uma profissão masculina. Sou realista, é importante fazer bem o meu trabalho no momento atual.

    Tags:
    iniciativa, chancelaria, política, entrevista, Maria Zakharova, Crimeia, Ucrânia, Rússia
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