18:46 21 Janeiro 2018
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    Presidente boliviano Evo Morales
    Enzo de Luca/ ABI

    Ministro boliviano acusa CNN de conspirar contra Evo Morales

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    O Governo da Bolívia reagiu com indignação às sucessivas denúncias do jornalista Carlos Valverde, de que o Presidente Evo Morales tem praticado tráfico de influência. Além dos canais da mídia que normalmente usa no país, Valverde concedeu entrevista à rede de televisão CNN, dos EUA, na qual reiterou suas acusações.

    Imediatamente após a veiculação da entrevista, pelo menos dois ministros de Evo Morales vieram a público condenar as declarações de Carlos Valverde. Juan Ramón Quintana, ministro da Presidência, e Marianela Paco, das Comunicações, criticaram o jornalista e acusaram alguns órgãos da mídia, nacionais e internacionais (entre eles, a CNN), de integrar uma grande conspiração contra o Governo Morales.

    Mais incisivo, Juan Ramón Quintana foi além em suas críticas, acusando os órgãos que repercutem as críticas do jornalista de omitir o fato de que “Carlos Valverde é narcotraficante e agente de informações dos Estados Unidos”. O ministro disse ainda que Valverde tem encontros frequentes com graduados funcionários da Embaixada dos Estados Unidos na Bolívia.

    Já Marianela Paco afirmou: “Não é raro a CNN tomar parte de conspirações e de campanhas internacionais contra governos legítimos.”

    Por sua vez, o presidente do Equador, Rafael Correa, saiu em defesa do seu colega boliviano e afirmou que a imprensa de oposição exerceu um papel relevante para a derrota de Evo Morales no referendo de 21 de fevereiro. Na ocasião, o eleitorado boliviano disse não à pretensão de Evo Morales de encaminhar ao Parlamento uma Proposta de Emenda Constitucional que lhe permitiria, se acolhida, disputar mais um mandato presidencial, de forma consecutiva, em 2018.

    No Brasil, o pesquisador do Núcleo das Américas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), João Cláudio Pitillo, é categórico: “Valverde não pode ser levado a sério”.

    “Há muito tempo as grandes corporações de mídia na América Latina vêm tendo um papel semelhante ao de um partido de oposição”, diz o especialista da UERJ. “Elas trabalham sistematicamente contra os governos progressistas, e o Governo Evo Morales está na lista do ‘a ser derrubado’”.

    Segundo João Cláudio Pitillo, “Valverde é uma figura inusitada na sociedade boliviana. Há um tempo ele lançou um livro levantando suspeições de que o Presidente Evo tem envolvimento com o tráfico de drogas. Esse livro é uma peça de ficção, porque a ONU e todos os institutos de fomento parabenizam Evo Morales pelo seu papel no combate às drogas. No mínimo, essa pessoa [Carlos Valverde] não pode ser levada a sério”.

    Sobre a manifestação do presidente do Equador, Rafael Correa, em relação à influência da mídia internacional sobre o referendo de 21 de fevereiro, o professor da UERJ afirma não haver dúvida “de que a imprensa golpista teve um papel preponderante, haja vista que há pouquíssimo tempo o Presidente Evo Morales obteve uma vitória esmagadora na sua reeleição, e não faz sentido essa derrota tão próxima”.

    “O marco inicial dessa imprensa golpista na área internacional foram as eleições na Nicarágua, quando Violeta Chamorro derrotou a Frente Sandinista. Ali surgiu uma imprensa tecnicista, ligada aos interesses do capital e completamente entranhada na sociedade latino-americana, para criar o caos e manter a subordinação, através da alienação, ao grande capital financeiro. Isso se repete sistematicamente na Venezuela de hoje; no Paraguai, no qual foi vítima de golpe o Presidente Lugo; no Brasil de hoje, contra a Presidenta Dilma. É uma campanha sistemática e que foi preponderante para a vitória do Presidente Mauricio Macri na Argentina".

    João Cláudio Pitillo comenta ainda a declaração da ministra das Comunicações da Bolívia, Marianela Paco, que deplorou que a CNN, autora da entrevista com o jornalista Carlos Valverde, tome parte “na conspiração de uma campanha internacional para atentar contra Governos legítimos”.

    “Não podemos esquecer que a CNN teve um papel preponderante na primeira Guerra do Golfo e na campanha midiática para a invasão do Iraque e para a deposição do Presidente Saddam Hussein”, lembra Pitillo. “A CNN tem um know-how para subverter a verdade e criar grandes fantasias para a sociedade norte-americana. A CNN trabalha pari passu aos interesses de Washington”. 

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    Tags:
    Guerra do Golfo, Frente Sandinista, UERJ, CNN, Violeta Chamorro, Marianela Paco, Carlos Valverde, Juan Ramón Quintana, Mauricio Macri, Fernando Lugo, João Cláudio Pitillo, Saddam Hussein, Rafael Correa, Evo Morales, Golfo Pérsico, Paraguai, Bolívia, Nicarágua, Venezuela, Iraque, Equador, América Latina, EUA, Washington, Argentina, Brasil
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