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    Sanções da ONU não vão desencorajar programa nuclear da Coreia do Norte

    © AFP 2018 / KENA BETANCUR
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    O esboço de uma resolução para endurecer sanções contra a Coreia do Norte que os EUA enviaram à ONU junto com a China não desencorajará Pyongyang de desenvolver mísseis nucleares e balísticos, afirmou à Sputnik o especialista sobre o país Michael Madden.

    Na última sexta-feira, Washington, apoiada por Pequim, enviou uma nova resolução ao Conselho de Segurança da ONU pedindo sanções adicionais contra a Coreia do Norte. A intenção é impedir o país de levar adiante seus programas nuclear e de mísseis balísticos. 

    Michael Madden, especialista em Coreia do Norte que lidera o blog North Korean Leadership Watch, disse à Radio Sputnik que as sanções não devem ter sucesso na tentativa de interromper os programas, mesmo que prejudiquem a economia-norte-coreana.

    “Não é uma economia avançada, mas nos últimos anos eles conseguiram um crescimento modesto e fizeram algum progresso em termos de desenvolvimento da economia doméstica, então é preciso aguardar e ver se as sanções afetarão isso”, avaliou Madden.

    “Uma das coisas que fizeram foi permitir que os tecnocratas no gabinete norte-coreano comecem a administrar programas. Essas pessoas são muito experientes (em lidar) com as falhas fundamentais da economia norte-coreana. Eles sabem o que precisa ser consertado.”

    O presidente norte-coreano, Kim Jong-un, e muitos em seu círculo têm a mente mais aberta porque foram educados fora do país, e Madden afirma que o presidente está ciente do que falta ao conhecimento na Coreia do Norte e está aberto a conselhos, especialmente de tecnocratas e de planejadores econômicos.

    “Há um certo grau — um grau muito específico porque é um estado totalitário — de flexibilidade que ele dá a oficiais no que diz respeito à formulação de políticas.”

    Entretanto, essa flexibilidade não se aplica ao programa nuclear, e as sanções não farão Pyongyang abrir mão de seu programa nuclear, alerta Madden.

    “A Coreia do Norte basicamente afirmou em algumas ocasiões que não tem intenção de abrir mão de seu programa de armas nucleares nem a intenção de interromper lançamentos espaciais e vamos ter que aceitar a palavra deles.”

    Madden acredita que Pequim apoiou a proposta dos EUA por sanções mais duras por causa de preocupações legítimas quanto ao potencial de terremotos como resultados de testes de armas, que “incomodam bastante a China, especialmente os testes de armas nucleares.”

    Enquanto China e Coreia do Norte têm uma relação próxima, a influência da China é um tanto exagerada por vários observadores externos, e Pyongyang provavelmente vai responder com hostilidades abertas às sanções propostas, afirmou Madden.

    “Kim Jong-un passou a última semana inspecionando exercícios militares; provavelmente, vamos vê-lo inspecionando mais exercícios militares. Eles provavelmente vão endurecer os controles sociais.”

    “Uma vez que as sanções forem aprovadas, veremos algumas declarações interessantes vindo da Coreia do Norte. Eles continuarão a aumentar a tensão na península da Coreia.”


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    Tags:
    sanções, mísseis balísticos, programa nuclear, Conselho de Segurança da ONU, ONU, Kim Jong-un, Michael Madden, China, EUA, Coreia do Norte
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