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    Refugiados em Salzburgo, Áustria, em 17 de setembro de 2015

    Reunião independente com países dos Bálcãs cria mal-estar entre Áustria e Alemanha

    © AP Photo / Kerstin Joensson
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    Fontes do governo da Alemanha expressaram grande insatisfação com a iniciativa da vizinha e aliada Áustria de organizar nesta quarta-feira um encontro com representantes dos países balcânicos, em Viena, para discutir medidas independentes para conter o fluxo de refugiados para a Europa, sem aprovação de Berlim ou de Bruxelas.

    A Alemanha defende uma aproximação pan-europeia para a atual crise migratória na Europa, com base no reforço das fronteiras externas do espaço Schengen e em um acordo comum para redistribuição dos refugiados. Mas tem encontrado resistência, sobretudo no leste europeu. 

    Ao convocar os ministros das Relações Exteriores de Albânia, Bósnia, Bulgária, Croácia, Macedônia, Montenegro, Eslovênia, Kosovo e Sérvia para a sua conferência, a Áustria alegou ter como objetivo encontrar uma solução para os atuais desafios migratórios, com discussões focadas na segurança interna, gestão das fronteiras, extremismo e política externa. O encontro, no entanto, tem como origem um pedido feito pelo grupo de Visegrad (V4), formado por Hungria, Polônia, República Tcheca e Eslováquia, junto com Bulgária e Macedônia, para fechar as fronteiras da Grécia e interromper o fluxo de imigrantes, deixando o território grego de fora do espaço Schengen. 

    Nenhum representante da Alemanha, da Grécia ou da União Europeia foi convidado para participar da reunião em Viena, o que irritou as autoridades alemãs, para as quais esse evento poderá resultar na criação de uma nova zona de livre circulação de pessoas, alternativa ao Acordo de Schengen.

    Segundo o ministro da Imigração da Grécia, Yiannis Mouzalas, a ideia de se fechar a rota dos Bálcãs para milhares de pessoas que tentam fugir da guerra ou da perseguição em seus países é totalmente antieuropeia. 

    "Isso fere a Europa e irá sobrecarregar o nosso país com algo que ele não merece. A rota balcânica era um corredor humanitário. Ela poderia ser fechada após consultas, mas não virando um país contra o outro", declarou Mouzalas.

    Já o chanceler austríaco, Werner Faymann, acusou Berlim de conduzir uma política migratória contraditória, enquanto o seu ministro do Exterior, Sebastian Kurz, disse que o seu país aceitou no ano passado duas vezes mais pedidos de asilo per capita do que a Alemanha, algo que, de acordo com ele, não irá se repetir em 2016.

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    Tags:
    migração, refugiados, Schengen, V4, grupo de Visegrad, União Europeia, Yiannis Mouzalas, Sebastian Kurz, Werner Faymann, Bulgária, Europa, Bálcãs, Grécia, Berlim, Viena, Eslováquia, República Tcheca, Polônia, Hungria, Sérvia, Kosovo, Eslovênia, Montenegro, Macedônia, Croácia, Bósnia, Albânia, Alemanha, Áustria
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