12:32 20 Outubro 2021
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    O abandono por alguns países do acordo de Schengen, uma hipotética saída do Reino Unido da União Europeia e o efeito dominó subsequente podem levar ao colapso de toda a União.

    Bandeira do Reino Unido
    © flickr.com / Mikael Vejdemo Johansson
    A Bélgica abandonou temporariamente as regras de Schengen que permitem viajar sem controle de passaportes dentro de fronteiras internas da União Europeia (UE) entre 26 países-membros.

    O ministro do Interior belga, Jan Jambon, anunciou na terça-feira (23) que a decisão foi tomada no contexto dos planos da França de evacuar o campo de refugiados em Calais, onde se encontram cerca de 4 mil pessoas. O passo pode provocar um fluxo de migrantes provenientes da cidade portuária no norte da França em direção à Bélgica.

    Bruxelas também afirmou que aumentará a presença da polícia ao longo de fronteiras para controlar a situação.

    Isto acontece nas vésperas da cúpula sobre a crise dos refugiados, marcada para hoje (24) em Viena por iniciativa da Áustria. Desta cúpula participarão os ministros do Interior e Exterior da chamada “rota balcânica” que inclui a Albânia, Bósnia, Bulgária, Kosovo, Croácia, Montenegro, Macedônia, Sérvia e Eslovênia.

    Alguns especialistas pensam que os desenvolvimentos mais recentes, inclusive a decisão do Reino Unido de realizar um referendo sobre a permanência do país na União, podem levar a um colapso da zona de Schengen.

    Uma pesquisa realizada pela empresa Prognos AG para o centro Bertelsmann Foundation mostra que a reposição de barreiras internas ajudará a lidar com o fluxo de migrantes, mas minará ainda mais a economia enfraquecida da UE, informou a Deutsche Welle.

    Longas filas nos pontos de controle das fronteiras internas aumentarão os custos de produção para as empresas e os preços para os consumidores.

    No pior dos casos, a reintrodução de fronteiras internas levará ao aumento de 3% no preço das importações, e as perdas da Alemanha, a maior economia da União, entre 2016 e 2025 serão de 235 bilhões de euros, da França – de 244 bilhões de euros, e de toda a União Europeia – de 1,4 trilhão de euros.

    O referendo sobre o futuro do Reino Unido na União Europeia está marcado para 23 de junho de 2016. O primeiro-ministro tcheco, Bohuslav Sobotka, afirmou que, se o Reino Unido deixar a União, no seu país também se poderão iniciar debates sobre uma saída hipotética da UE, informou a RIA Novosti. Mais recentemente, ele afirmou que, em caso da saída britânica, começará na Europa uma onda de nacionalismo e separatismo.

    “Os resultados disso podem ser realmente gigantescos. Se tal acontecer, os debates sobre a saída da UE podem iniciar-se dentro de 2 anos e aqui mesmo, na República Tcheca”, disse Sobotka.

    O mesmo pode acontecer em outros países da União Europeia onde existem fortes movimentos extremistas, afirmam especialistas.

    A única coisa que está clara é que, se a União Europeia não lidar com a crise migratória o mais rápido possível, as consequências políticas, econômicas e acima de tudo, sociais, serão imprevisíveis.

    Tags:
    Reino Unido, Europa, União Europeia, República Tcheca, economia, crise migratória, colapso
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