20:15 20 Agosto 2017
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    O vice-príncipe herdeiro e ministro da Defesa da Arábia Saudita Mohammad bin Salman

    Príncipes sauditas se articulam contra operações militares do reino no Iêmen e na Síria

    © REUTERS/ Stringer
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    A luta interna pelo poder na Arábia Saudita tem se acirrado ao longo dos últimos meses, com várias figuras do alto escalão na monarquia se enfurecendo com o envolvimento militar do reino no Iêmen e com uma possível operação terrestre na Síria, segundo observou o analista político francês Alain Rodier em artigo para a revista Atlantico.

    O país não vai bem. Além dos baixos preços do petróleo que estão arruinando a economia saudita, a operação militar de Riad no Iêmen, contra os rebeldes xiitas houthis, não mostra sinais de acabar, e o reino começa a perder seus soldados e aviões.

    Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita parece estar planejando uma operação militar na Síria com a Turquia, segundo Rodier. Em 13 de fevereiro, o governo saudita enviou 30 bombardeiros para uma base militar na Turquia. Enquanto isso, as forças turcas já começaram a bombardear os curdos no norte da Síria, alegando a necessidade de proteger a segurança da Turquia contra “grupos terroristas”.

    Se os sauditas decidirem se envolver em uma operação terrestre na Síria, teriam que usar suas forças especiais, segundo observa o analista francês, já que Riad já está usando sua infantaria pesada no Iêmen e perto da fronteira com o Iraque.

    Neste caso, ainda segundo Rodier, as forças sauditas ficariam cara-a-cara com os membros da Guarda Revolucionária iraniana que estariam operando na Síria e, então, ninguém poderia prever o que aconteceria em seguida no Oriente Médio.

    "A intimidação [provocada] por Mohammad bin Salman [o vice-príncipe herdeiro da Arábia Saudita e ministro da Defesa do país] está começando a irritar muitos outros membros da família real saudita", disse Rodier.

    Segundo ele, muitos no governo saudita acreditam que as ações imprudentes do príncipe, particularmente no que diz respeito à sua política agressiva e belicosa na região, podem trazer o caos ao reino.

    Assim, se algo acontecer ao atual rei Salman bin Abdulaziz – que, supostamente, está sofrendo de demência e outros problemas de saúde – haverá muitos príncipes prontos para reivindicar o trono.

    Em particular, Mutaib bin Abdullah bin Abdulaziz, o atual ministro da Guarda Nacional da Arábia Saudita (que não responde ao Ministério da Defesa) poderia estar disposto a "acalmar" as ambições do príncipe Salman, segundo aponta Rodier.

    De acordo com o analista, o chefe da Guarda Nacional poderia fazer uma aliança com o príncipe Muhammad bin Nayef, primeiro vice-primeiro-ministro e ministro do Interior do país. Juntos, os dois poderiam organizar um golpe, facilmente subjugando as Forças Armadas sauditas regulares, caso elas decidam se opor à movimentação.

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    Tags:
    curdos, bombardeiros, economia, houthis, petróleo, família real saudita, golpe, golpe de Estado, rei, príncipe, reino, monarquia, guerra, operação militar, intervenção, Guarda Revolucionária Iraniana, Atlantico, Alain Rodier, Muhammad bin Salman, Salman bin Abdulaziz Al Saud, Irã, Oriente Médio, Síria, Iêmen, Arábia Saudita
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