17:11 20 Setembro 2017
Ouvir Rádio
    A sede do Citigroup encontra-se em Londres; o banco exerce muita influência no mundom inclusive nos EUA

    Menos pessoal e mais operações financeiras: Citigroup abandona Argentina

    © AFP 2017/ JUSTIN TALLIS
    Mundo
    URL curta
    12109882

    O banco Citi vendeu os seus negócios minoristas de serviços bancários na Argentina para pessoas físicas. Segundo Julio Gambina, economista e professor da Universidade de Buenos Aires (UBA), a causa disso é a crise econômica no país.

    O banco atua na Argentina desde 1914. Em entrevista à Sputnik Mundo, Gambina disse que "a retirada do Citi fundamenta-se na perda de rentabilidade em um tempo histórico de retração da produção, desaceleração da economia regional com tendências recessivas".

    O especialista comentou também o papel que a empresa teve no processo de formação das estruturas econômicas argentinas:

    "O papel do Citi na história econômica da Argentina associa-se à inserção subordinada do país na divisão internacional do trabalho. Como é de esperar, o seu interesse estava nos seus próprios negócios e nos dos seus representados de capital externo, por cima de qualquer interesse nacional de desenvolvimento".

    O Citigroup, proprietário do banco Citi, é uma das organizações financeiras que usou a seu favor a vulnerabilidade argentina e especialmente a sua dívida soberana.

    "Assim, após constituir-se em um dos instrumentos do endividamento elevadíssimo, assumido pela Argentina nos anos da ditadura, nas negociações dos anos 80 e 90 se propôs como articulador e gerente da capitalização da dívida pública através de privatizações de empresas estatais", comenta Julio Gambina a este respeito.

    Na noite passada, o juiz norte-americano Thomas Griesa, responsável pelo litígio entre Buenos Aires e Nova York, disse que poderá levantar o bloqueio para o pagamento da dívida reestruturada caso a Argentina revogue as leis Cerrojo e de Pago Soberano e assine, até 29 de fevereiro, um acordo com os credores que não aceitaram a reestruturação da dívida. Estas leis impedem fazer pactos com os fundos holdouts — chamados na Argentina de "fundos abutres".

    Menos pessoas e mais dinheiro

    A saída da Argentina testemunha, segundo o economista, que a empresa busca "menos trabalhadores para operações de maior envergadura e maior rentabilidade".

    Contudo, o fim do negócio na Argentina não é o fim do negócio na região. Um comunicado do Citigroup declara que o grupo "manterá uma forte presença no Brasil, Argentina e Colômbia, já que continuará atendendo aos seus clientes corporativos e institucionais desses mercados".

    Em 2014, o Citi já retirara os negócios deste tipo de 11 países, inclusive as Honduras, a Guatemala, a Nicarágua, o Panamá, a Costa Rica e o Peru.

    De acordo com os dados da agência Bloomberg, o grupo dtem mais de 2.700 empregados na Argentina. O número é maior no Brasil: cerca de 6.000.

    Mais:

    ‘Rebaixamento do rating do Brasil não traz riscos para a dívida interna’
    Navio russo começa a abastecer base argentina na Antártida
    Dmitry Medvedev à Sputnik: 'Não adianta discutir, dívida ucraniana tem que ser paga'
    Rússia espera Macri nomear negociadores para financiar hidrelétrica na Argentina
    Anistia Internacional argentina apela à OEA pela libertação de Milagro Sala
    'É a primeira vez que me perseguem politicamente', diz jornalista argentino
    Argentina promete proposta de renegociação a fundos abutres ainda esta semana
    'Narcoturismo’ ganha mercado do México à Argentina
    Multa de carro diplomático aumenta a dívida argentina
    "Relação com a Rússia não deve ser ideológica", diz candidato presidencial argentino
    Tags:
    Citibank, Citigroup, Thomas Griesa, Argentina
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik