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    Antigo presidente dos EUA Bill Clinton perto da estátua dele próprio em Pristina, Kosovo, 1 de novembro de 2009

    ‘Era igual para eles reconhecerem Kosovo ou a existência de vida em Marte’

    © AP Photo/ Visar Kryeziu
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    Hoje é o 8º aniversário da proclamação da independência de Kosovo. Até o momento, a região continua considerando a posição de Belgrado como o único obstáculo à criação de um Estado pleno. Alguns especialistas opinam que os países europeus que, em 2008, facilmente reconheceram a independência de Kosovo, agora pensariam cem vezes antes de fazer isso.

    O projeto norte-americano de Kosovo independente hoje é bem diferente do que os albaneses kosovares imaginaram em 17 de fevereiro de 2008, quando decidiram de forma unilateral separar-se da Sérvia. A euforia já pertence ao passado e o palco político albanês tem muitas divergências. Durante os últimos 10 anos, uma em cada dez pessoas partiu para outros países europeus (especialmente à Alemanha) para melhorar as suas condições de vida. Segundo mostram pesquisas de opinião, 75 por cento de cidadãos daquele país parcialmente reconhecido não estão contentes com a situação política, enquanto 79 por cento opinam que os principais problemas de Kosovo são a miséria, a corrupção e o desemprego. 

    O cientista político Dusan Prorokovic opina que, se Pristina declarasse a independência agora, o número de países prontos a reconhecer o novo país seria duas vezes menor por causa dos acontecimentos que se seguiram à independência de Kosovo na Ossétia do Sul, na Abkhazia e na Ucrânia.

    “Muitos países da UE tinham uma posição cautelosa em relação a Kosovo. Eles gastaram muito tempo a tomar a decisão mas afinal das contas eles acabaram por o fazer sob pressão dos EUA. Só que, na altura, eles precisaram de dois ou três anos e agora eles levariam 10 ou 15 para pensar”, diz Prorokovic. 

    O historiador russo e redator-geral da agência Regnum, Modest Kolerov, acredita que os que reconheceram a independência da região que pertencia à Sérvia “reconheceram não Kosovo, mas sim a sua lealdade aos EUA, país que iniciou este processo”. 

    “Era igual para eles reconhecerem Kosovo ou a existência de vida em Marte. Eles não serão responsabilizados pelo reconhecimento de Kosovo… o reconhecimento de Kosovo é um tipo de flash mob e não a determinação do destino da região”.

    Em entrevista à Sputnik, Fadil Lepaja, diretor do Centro de Estudos Balcânicos em Pristina, confirmou que os albaneses continuam achando que Belgrado é o único obstáculo que lhes impede de alcançar os seus objetivos. Respondendo à pergunta sobre se Kosovo pode ser considerado um Estado independente, Lepaja responde de uma forma diplomática:

    “Eu acho que Kosovo é independente na medida em que ele conseguiu superar todos os obstáculos criados pelos diplomatas e políticos sérvios para impedir que o nosso país seja reconhecido. Todos os países da União Europeia que hesitam em reconhecer ou não, não o fazem porque, caso contrário, podem estragar as suas relações com a Sérvia”.

    Mesmo se as autoridades de Kosovo enfatizem que o seu objetivo é a integração euro-atlântica, até o momento, o único êxito desta região neste sentido foi a assinatura do acordo de estabilização e associação com a União Europeia. Kosovo teve o seu maior fiasco no final do ano passado, quando aqueles países que tinham mesmo reconhecido Kosovo antes, votaram contra a aceitação desse Estado parcialmente reconhecido na UNESCO.

    Contudo, se acreditarmos nas palavras de Lepaja, já nos próximos anos, os dois Estados vizinhos (a Sérvia e Kosovo) irão ingressar na “família” europeia.

    Já o especialista mencionado, o sérvio Prorokovic, duvida deste prognóstico:

    “Eu não estou certo de que a posição favorável à continuação desta experiência terá predominância dentro da União Europeia. Eu também não sei se sobrarão forças e meios nos EUA para fomentar este projeto político no futuro”.

    Tags:
    aniversário, conflito, independência, Kosovo, EUA, Sérvia
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