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    Presidente turco Recep Tayyip Erdogan na Conferência Climática em Paris, 30 de novembro de 2015

    Deputada turca: Erdogan usa o Daesh em seus próprios interesses

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    O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, usa o grupo terrorista Daesh como um instrumento contra curdos, declarou em entrevista à RIA Novosti a deputada do parlamento turco Selma Irmak.

    Selma Irmak opinou que Erdogan aproveita o grupo terrorista como um instrumento da sua politica no Oriente Médio e, em particular, como um instrumento contra os curdos, argumentando a sua opinião por provas existentes de ligações entre a chefia turca e o Daesh.

    “Erdogan usa o Estado Islâmico [também chamado de Daesh] contra curdos. Erdogan não pode diretamente enviar o exército turco para o Curdistão sírio, mas pode usar o EI como um instrumento contra os curdos… porque ele tem em mente o grande Império Otomano. Este é um dos sonhos de Erdogan,” disse.

    A deputada turca do Partido Democrático dos Povos (HDP, na sigla em turco) notou que o grupo terrorista nunca atacou posições da Turquia nem assumiu responsabilidade por atentados em cidades turcas.

    "O Estado Islâmico nunca atacou posições turcas. E nunca assumiu a responsabilidade por atentados em cidades turcas. Houve três atentados sérios [em 2015] – em Diarbaquir, Suruc e Ancara. Em todos os atentados ficaram feridos curdos e membros da oposição que apoiam os curdos", sublinhou.

    Segundo ela, existem também vários sinais da existência de ligações entre as autoridades turcas e militantes islamistas que combatem na Síria e no Iraque. Por exemplo, os militantes feridos recebem tratamento médico na Turquia e documentos, eles têm campos de treinamento no país.

    “Há muitos exemplos de que a Turquia oferece certas oportunidades ao Estado Islâmico… Todos os militantes entram e saem do EI através da Turquia", especificou.

    A mesma situação favorável aos terroristas do grupo terrorista Daesh acontece também no mercado do petróleo, e o governo turco está bem informado sobre este fato.

    “O Estado claramente tem conhecimento de tudo isso. Especialmente tendo em conta que tal acontece sob o controle e proteção da polícia”, divulgou Selma Irmak.

    Cabe mencionar que, em dezembro, as autoridades turcas introduziram o toque de recolher em várias regiões no sudeste do país habitadas por curdos, inclusive nas cidades Diarbaquir, Cizre e Silopi, na província de Sirnak, bem como em Dergecit e Nusaybin, na província de Mardin.

    Segundo os dados do Estado-Maior da Turquia, desde meados de dezembro nos bairros onde está sendo realizada a operação antiterrorista foram eliminados 850 militantes curdos.

    Por seu turno, ativistas curdos declaram que a maioria dos mortos são civis.

    Tags:
    opinião, curdos, terrorismo, Recep Tayyip Erdogan, Turquia
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