13:09 11 Dezembro 2017
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    Caça russo Su-24 decola da base aérea de Latakia, na Síria

    Chancelaria: Rússia não bombardeia na Síria somente terroristas do Daesh

    © Sputnik/ Dmitriy Vinogradov
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    Em entrevista à RIA Novosti, o vice-ministro das Relações Exteriroes russo Oleg Syromolotov afirmou que a linha errada seguida pela Turquia e pela OTAN não ajuda a alcançar a vitória sobre o terrorismo.

    É bem conhecido que as divergências sobre a Ucrânia levaram a que a OTAN tivesse suspendido o projeto conjunto com a Rússia de luta contra o terrorismo. Syromolotov afirmou que os parceiros ocidentais não estavam desde o início dispostos a cooperar com a Rússia. 

    “Não se trata de atritos entre a Rússia e o Ocidente em relação aos desenvolvimentos na Ucrânia desde o fim de 2013, mas do fato de que os desenvolvimentos da crise neste país, o golpe de Estado, foram “construídos” por meio do envolvimento sistemático e insistente de parte de países ocidentais, liderados pelos EUA. Não devemos esquecer de que o resultado de tal intervenção levou ao reforço das forças extremistas e nacionalistas na Ucrânia, inclusive os apoiantes do nazismo e do fascismo. Tais condições não são as melhores para fazer avançar os esforços conjuntos de repelir ameaças terroristas e extremistas”, frisou.

    Na opinião do diplomata russo, é evidente que a confiança entre a Rússia e a OTAN se deteriorou bastante.

    Syromolotov sublinhou que não é possível não reparar no comércio de petróleo em grande escala realizado através o território turco, sendo as autoridades turcas tolerantes para com este fato.

    “Está claro aonde isso irá levar – à ameaça terrorista crescente na região e globalmente, inclusive ameaças à segurança do nosso próprio país”, disse Syromolotov.

    Syromolotov disse que a Turquia se atola mais e mais nesta linha política errada, comete crimes militares.

    “Estou falando do ataque traiçoeiro contra o avião militar russo envolvido na luta contra os terroristas. Por isso, <…> a hipótese de cooperação com a parte turca na luta contra o terrorismo, ou mesmo da revisão de Ancara da sua linha em relação aos terroristas na Síria e no Iraque, parecem nestas condições mais como frutos da fantasia do que a realidade”, disse.

    Falando sobre a possibilidade de a Rússia realizar uma operação contra a al-Qaeda como já ameaçou a Moscou, o vice-ministro russo destacou que a Rússia, agindo a pedido do governo sírio, alveja não somente militantes do Estado Islâmico mas também, por exemplo, infraestruturas e o potencial militar de outros grupos terroristas, inclusive a célula da al-Qaeda na Síria, a Frente al-Nusra.

    O que é mais importante, afirmou o diplomata russo, é que as ações militares contra os terroristas sejam legítimas, baseando no direito internacional, na Carta da ONU, nas decisões do Conselho de Segurança da ONU, que deve autorizar as operações conjuntas da comunidade internacional contra os terroristas.

    “A coalizão anti-Daesh criada pelos americanos não tem tal legitimidade, não há nem uma sanção do Conselho de Segurança da ONU, nem um convite do governo legítimo sírio”, afirmou o diplomata.

    O presidente da Rússia, Vladimir Putin, propôs na 70ª sessão da Assembleia Geral da ONU criar uma única frente internacional contra o terrorismo semelhante à que existiu no tempo de Hitler. Entretanto, agora é só o início do caminho. O sucesso poderá ser atingido quando todos os países mostrarem vontade política.

    Quanto à investigação da queda do avião russo A321 na península do Sinai, Syromolotov afirmou que a Rússia não duvida que tenha sido um ataque terrorista. O Egito ainda não apresentou as conclusões finais sobre as razões do acidente mas  Moscou espera que colegas egípcios façam uma avaliação objetiva do que aconteceu. A Rússia e o Egito estão tomando medidas para melhorar a segurança do transporte aéreo.

    Tags:
    legitimidade, operação russa, A321, ONU, OTAN, Daesh, Egito, Turquia, Rússia, Síria
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