15:42 22 Julho 2018
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    Funcionário do setor petrolífero iraniano vai de bicicleta  perto da refinaria petrolífera no sul de Teerã, Irã

    Irã 'joga xadrez' com EUA, abandonando o dólar

    © AP Photo / Vahid Salemi
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    O Irã decidiu realizar o seu comércio de petróleo em euros, ao invés de dólares norte-americanos, de acordo com a informação não confirmada. O analista econômico Shabbir Razvi disse à Sputnik que Teerã está aparentemente jogando um jogo "delicado" de xadrez com Washington.

    "O Irã está tentando fazer com que as suas relações com os EUA e o mundo sejam melhores  do que eram no passado recente. No entanto, ao mesmo tempo, o Irã não quer que os EUA se tornem mais fortes. Isto é realmente um jogo de xadrez que os iranianos estão jogando com os EUA", observou o diretor da Fundação Internacional de Diálogo, sediada em Londres.

    Os acordos de petróleo do Irã em euros já foram concluídos com a Total francesa, a Lukoil da Rússia e a Cepsa espanhola, disse à Reuters uma fonte não identificada na Companhia Nacional de Petróleo iraniana na sexta-feira (5). 

    A lógica por trás da decisão do Irã é simples: se Teerã se afastar do petrodólar, os EUA terão menos controle do mercado do petróleo. No momento, o dólar é a moeda de todas as operações de commodities a nível mundial, especialmente no comércio de petróleo.

    "Esta é literalmente a única razão de o dólar e a economia dos EUA estarem estáveis", destaca o analista.

    Razvi também apontou que as elites financeiras ocidentais "necessitam do sistema do petrodólar" e que elas estão dispostas a utilizar quaisquer medidas, até campanhas militares, para proteger o status quo. Teerã está bem consciente das implicações da sua decisão, por isso realiza um " delicado jogo de xadrez " com os EUA.

    "Saddam Hussein começou a vender petróleo em euros e nós sabemos o que aconteceu com o Iraque depois de 2001", frisou o analista.

    Presidente Vladimir Putin da Rússia (R) se reúne com presidente do Irã, Hassan Rohani, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, 28 de setembro de 2015
    © REUTERS / Mikhail Klimentyev/Kremlin
    Um destino semelhante aguardou a Líbia, cujo líder, Muammar Kadhafi, foi morto depois de uma intervenção liderada pela OTAN. Kadhafi era um firme defensor da introdução de uma nova moeda, o dinar de ouro, para rivalizar com o dólar e o euro. 

    No entanto, Razvi enfatizou que as chances de os EUA lançarem um ataque contra o Irã são escassas.

    Segundo as previsões, a implementação do acordo iraniano, firmado em 14 de julho de 2015, virá adicionar pelo menos 500 mil barris por dia ao mercado de petróleo. Para Teerã, aumentar a produção deste combustível é uma forma de compensar as perdas financeiras que o país sofreu quando estava sob as sanções, levantadas em 16 de Janeiro passado por parte tanto dos EUA como da União Europeia.

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    Tags:
    transações comerciais, petróleo, EUA, Irã
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