06:55 17 Setembro 2021
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    O anúncio de que 70 países concordaram em oferecer até 2020 ajuda de U$ 11 bilhões aos refugiados da Síria e a países vizinhos, como Líbano, Jordânia e Turquia, foi comemorado por diversas ONGs no mundo e no país, como o Instituto de Integração de Refugiados Brasil, que defende, porém, medidas complementares por parte dos governos.

    Reunidos em Londres, representantes desses governos adiantaram que, do total, US$ 6 bilhões devem ser liberados ainda este ano. O montante ficou abaixo dos US$ 9 bilhões defendidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) para atender às necessidades básicas de cerca de 4,5 milhões de refugiados acolhidos pelos três países.

    As maiores ajudas vieram da Alemanha (US$ 2,5 bilhões), Reino Unido (US$ 1,75 bilhão) e Estados Unidos (US$ 890 milhões). O Brasil se comprometeu com o desembolso de US$ 1,3 milhão, que serão doados via Alto Comissariado para Refugiados da ONU (ACNUR) e com a continuidade no envio de alimentos às regiões em conflito. Só no ano passado o Brasil enviou 4.500 toneladas de arroz, e a expectativa para este ano é da entrega de 4.800 toneladas de feijão.

    Embora comemorando o anúncio da ajuda, o diretor do Instituto de Refugiados Brasil, com sede em São Paulo, Marcelo Haydu, diz ser importante lembrar também a situação de milhares de outros sírios que não estão na condição de refugiados, mas sofrem as consequências da guerra no país.

    “Há os deslocados internos, que não conseguem sair do país, saem de suas casas e vão para outros territórios que também se encontram em situação de extrema carência e vulnerabilidade social.”

    Outra preocupação da ONG é com o futuro das políticas de acolhimento. “Que esse apoio financeiro não seja o reflexo de um maior fechamento da fronteira desses países”, diz Haydu, esperando que recentes episódios de violência envolvendo refugiados na Europa, e especialmente na Alemanha, não incentivem as pessoas a associar esses incidentes ao terrorismo. “Os países têm que ter o lado humano e entender que essas pessoas estão fugindo de situações de perseguição e conflito.”

    Na avaliação do diretor do Instituto, mesmo em um país em guerra há regras que devem reger a entrega de ajuda humanitária em locais onde atuem instituições como a Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteira e outros. Segundo Haydu, muitas vezes a ajuda até chega, mas não consegue ser distribuída para quem necessita.

    Em relação ao Brasil, Haydu elogia a posição do Governo, que, segundo ele, nos últimos dois anos, tem aberto as portas aos refugiados sírios. Embora com um número bem menor de refugiados – algo em torno de 2 mil a 2.500 – em comparação a outros países o Brasil tem facilitado a concessão de vistos, acolhido os recém-chegados e providenciado todo o processo de proteção, legalização e obtenção de documentos. Baydu, no entanto, diz que muito ainda pode ser feito.

    “Depois da legalização, cabe às ONGs tentar inserir o refugiado em uma nova vida, seja procurando para ele uma vaga de emprego, a possibilidade de receber aulas de português, de inseri-lo no sistema de saúde. O Governo brasileiro deve tomar para si a responsabilidade de facilitar esse processo.”

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    Tags:
    Londres, Síria, Líbano, Jordânia, Turquia, Alemanha, EUA, Brasil, Marcelo Haydu, ONU, Acnur, Cruz Vermelha, Instituto de Refugiados Brasil, Médicos Sem fronteiras, refugiados, crise de imigrantes
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