07:55 25 Setembro 2020
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    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou a acusar parte do empresariado local de tentar sabotar a economia do país, promovendo não só o desabastecimento de produtos como agora também tramando ”um plano de ajustes” para o país através de empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BIRD).

    Criticando nominalmente o empresário Lorenzo Mendoza, Maduro conclamou o povo venezuelano a protestar nas ruas contra esse tipo de empresário. Ao mesmo tempo, determinou que o Ministério de Economia e Finanças dê respostas contundentes contra o que chamou de tentativas do presidente das Empresas Polar de sabotar a economia.

    Em outubro do ano passado, o Governo apresentou um áudio de uma conversa telefônica entre Mendoza e o economista Ricardo Hauffman, na qual falam do “plano de ajustes” com a colaboração do FMI e BIRD.

    Com uma inflação de 141% entre janeiro e setembro do ano passado – últimos dados divulgados pelo Banco Central –, a economia venezuelana vem passando por um período de turbulências agravado pela queda na cotação do barril de petróleo, commodity que representa 95% das exportações do país. A política cambial também tem contribuído para as oscilações. Pela taxa oficial, o dólar vale 6,35 bolívares, ou 13,50 no câmbio turismo. No mercado paralelo, contudo, a moeda americana era negociada em 884 bolívares nesta sexta-feira, 4.

    O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, aponta o câmbio como uma das principais fontes de dificuldade da economia venezuelana.

    “Com um dólar se aproximando dos mil bolívares no mercado paralelo, isto faz com que muitas empresas não tenham como importar. Elas não conseguem vender mercadorias no mercado interno com margem de lucro. Aí vem o desabastecimento.”

    Castro lembra que até há alguns anos o Brasil exportava produtos manufaturados para a Venezuela, que proporcionava ao país bons superávits na balança comercial.

    “De uns tempos para cá, passamos a exportar carnes bovina e de frango, leite, açúcar e papel, que, por serem produtos de primeira necessidade, acabam sendo adquiridos pelo Governo pelo câmbio oficial. Outras exportações, que não dependem do câmbio oficial, são feitas às vezes com a exigência de pagamento antecipado.”

    O diretor da AEB diz que, embora os números não sejam oficiais, estima-se que a Venezuela tenha hoje uma dívida entre US$ 9 bilhões e US$ 10 bilhões com fornecedores em todo o mundo. Só com o Brasil, essa dívida giraria entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões. Mesmo assim, Castro defende o apoio do Brasil ao país vizinho.

    “É importante que a Venezuela busque a estabilidade econômica, política e social. No segundo semestre deste ano, ela vai assumir a presidência do Mercosul. É um país importante. Não podemos abandonar a Venezuela.”

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    Tags:
    BIRD, FMI, Mercosul, AEB, José Augusto de Castro, Lorenzo Mendoza, Nicolás Maduro, Venezuela
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