21:50 22 Setembro 2020
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    A CONALCAM – Coordenadoria Nacional pela Mudança promoveu manifestação nacional na Bolívia em apoio à intenção do Presidente Evo Morales de apresentar ao Parlamento uma Proposta de Emenda Constitucional que lhe permita disputar em 2019 o quarto mandato presidencial consecutivo.

    Se a Proposta for aprovada e Morales vencer o pleito, ele permanecerá no poder até 2025, quando a Bolívia comemorará 200 anos de independência.

    O referendo popular pela mudança na Constituição será realizado no dia 21 deste mês. O eleitorado boliviano irá às urnas para dizer se apoia a pretensão de Morales de encaminhar a Proposta ao Parlamento.

    O presidente boliviano tem dito reiteradas vezes que são os movimentos sociais do país (como o MAS – Movimento Ao Socialismo) os verdadeiros responsáveis pela sua iniciativa e que a ideia de permanência no poder nada tem de pessoal.

    Segundo João Cláudio Pitillo, pesquisador do Núcleo das Américas da UERJ e especialista em políticas latino-americanas, o Presidente Evo Morales “veio com uma proposta revolucionária. Por ser um índio e oriundo dos movimentos sociais, ele tem a experiência do sofrimento da classe trabalhadora da Bolívia”.

    O Professor Pitillo lembra que a Bolívia, até pouco tempo atrás, era um dos mais pobres e atrasados do mundo.

    “O que o Presidente Evo fez foi dialogar com a massa, governar com os trabalhadores. Ele colocou no processo de protagonismo a população mais pobre, a classe historicamente órfã do Estado. Haja vista a participação dos movimentos sociais discutindo se o Presidente Evo deveria se candidatar a um novo mandato. Isso é um exemplo de democracia direta, do entrelaçamento do Governo com sua base social, ou seja, houve uma discussão horizontal dessa proposta, e esse governar de forma horizontal é que proporcionou ao Presidente Evo Morales ganhar campo dentro dos vários matizes políticos ideológicos da Bolívia e levar seu país a ser referendado internacionalmente como modelo de transformação.”

    A Bolívia, ainda segundo João Cláudio Pitillo, até a chegada de Evo Morales à Presidência colecionou uma série de figuras que só aprofundaram o processo de dependência e de miséria da Bolívia.

    “O país tem uma pequena elite branca, conservadora, extremamente reacionária, alocada na região de Santa Cruz de La Sierra e que se locupletava da situação de dependência da Bolívia, cada vez mais extrema. O que o Presidente Evo Morales fez foi inverter esse vértice da pirâmide. Ao colocar as classes mais pobres como protagonistas, fez uma discussão social, política e econômica a partir do papel que a Bolívia estava tendo com os seus cidadãos.”

    Na Bolívia, de acordo com o pesquisador do Núcleo das Américas da UERJ, “havia um país onde a maioria da população não tinha Estado, lá existia um movimento dos sem-Estado, e gerações e gerações de bolivianos que não tinham acesso ao Estado não tinham saúde, não tinham educação, não tinham escola, viviam completamente à margem do Estado, marginalizados por esse processo de dependência”.

    O que Evo Morales fez, diz Pitillo, “foi inserir essa massa nos processos decisórios, e a Bolívia hoje tem avanços significativos na área de educação e saúde e na economia”.

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    Tags:
    política internacional, política, João Cláudio Pitillo, Evo Morales, América Latina, Bolívia
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