02:00 25 Maio 2018
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    Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e presidente dos EUA, Barack Obama
    © REUTERS / Joshua Roberts

    Obama e Santos conversam sobre os 15 anos do malfadado Plano Colômbia

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    O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu seu colega da Colômbia, Juan Manuel Santos, nesta quinta-feira, 4, na Casa Branca, em Washington. Na pauta da reunião entre os dois presidentes, entre outros diversos assuntos, o tristemente célebre Plano Colômbia.

    Obama e Santos discutiram o andamento das negociações de paz entre Colômbia e FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo) e os 15 anos de vigência do Plano Colômbia, mecanismo criado pelos Estados Unidos em 2000 para, teoricamente, combater o plantio, cultivo e processamento de drogas naquele país.

    Sobre o Plano Colômbia, a especialista Flávia Seidel, do Curso de Defesa e Gestão Estratégica Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, considera que, para efeitos externos, os objetivos do Plano eram exatamente aqueles propostos, mas, na prática, transformaram-se em intensa repressão contra os integrantes das FARC e, por extensão, acabaram vitimando camponeses e produtores rurais.

    Segundo a Professora Flávia Seidel, a fumigação das plantações de coca feitas pelo Plano Colômbia acabou atingindo outras áreas de plantio, privando camponeses e produtores rurais de sua principal fonte de renda e subsistência.

    “O Plano Colômbia foi um acordo assinado entre os Governos de Bill Clinton e de Andrés Pastrana, no final dos anos 1990, para que se implementasse uma maneira de conseguir terminar com o narcotráfico, mas esse Plano tinha também toda uma questão social envolvida”, diz Flávia Seidl. “No final das contas, o Plano Colômbia foi criado realmente não só para tentar acabar com o narcotráfico mas também para combater e desarticular as guerrilhas de esquerda, mais especificamente as FARC. Isto não é tão declarado, mas sabe-se que esta foi a verdadeira meta, o objetivo do Plano Colômbia.”

    Flávia Seidl lembra que o Plano foi muito criticado internacionalmente por suas violações de direitos humanos, os deslocamentos e desaparecimentos forçados, a questão dos “falsos positivos”, a incitação à guerra e ao ódio, a polarização que provocou durante os 15 anos em que está funcionando.

    “Na questão do narcotráfico já sabemos que não houve êxito. Houve momentos de pico, em que o narcotráfico piorou muito, evoluiu, e momentos em que diminuiu um pouco. Eles [os agentes do Plano Colômbia] trabalharam muito com a retirada de plantas, manualmente e também com fumigações aéreas. Então, muitas famílias, principalmente camponeses, tiveram suas plantações de outros produtos, e até mesmo a plantação milenar da coca na região, destruídas com a aspersão de glifosato. As fumigações aéreas acabaram com as culturas das plantas para a produção de drogas e também com outros cultivos que foram destruídos, e a vida das pessoas, social, econômica e até na questão da saúde, foi bastante prejudicada.”

    Entre as muitas ações do Plano Colômbia, a questão dos “falsos positivos” também chocou a opinião público internacional. A Professora Flávia Seidl explica que num determinado momento da história o Governo Uribe pagava recompensa a ministros militares, à força pública e à polícia, para que conseguissem capturar guerrilheiros. Então, rapazes de baixa renda, principalmente das áreas rurais, começaram a desaparecer, e descobriu-se depois que esses jovens civis eram mortos e depois seus assassinos os vestiam com os uniformes de guerrilheiros.

    “O caso dos ‘falsos positivos’ foi um escândalo nacional e internacional, porque aqueles rapazes nada mais eram que meninos que viviam com suas famílias de baixa renda e eram supostamente recrutados. No recrutamento, eram mortos e ‘confundidos’ com guerrilheiros.”

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    Tags:
    Plano Colômbia, FARC, Flávia Seidel, Andrés Pastrana, Bill Clinton, Juan Manuel Santos, Barack Obama, Colômbia, EUA
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