04:43 24 Setembro 2018
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    Guerrilha das FARC em frente a um cartaz criticando o Plano Colômbia

    Presidente da Colômbia teme sabotagem na reta final do processo de paz com FARC

    © AFP 2018 / Luis Acosta
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    O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, se encontra em Washington a convite do presidente Barack Obama para comemorar o 15º aniversário do Plano Colômbia, um mecanismo de financiamento do governo dos EUA para o combate às drogas e a contra-insurgência na Colômbia.

    Durante a visita, Santos afirmou estar preocupado com a desinformação ou uma ato terrorista que possa afetar a fase final do processo de paz com a guerrilha das FARC. 

    “Às vezes eu temo e quero falar destas pessoas que podem prejudicar o processo; é muito fácil dar informação errada e esta informação errada às vezes vai se propagando; a política às vezes trata de fornecer a informação adequada e isto poderia prejudicar o processo de paz”, disse o líder colombiano durante conferência na capital norte-americana. 

    Durante o evento, transmitido no site da Presidência da Colômbia, Santos disse que se houvesse um ato terrorista contra o processo de paz com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), seu país teria de "superar".

    O presidente também sugeriu que o armistício com os guerrilheiros poderiam se materializar após a data "limite" estabelecida pelas partes em 23 de março.

    Segundo Santos, os negociadores do governo e as FARC começaram na última terça-feira (4) uma nova rodada de conversações em Havana para "acelerar" e conseguir a assinatura do acordo, na data programada.

    Em entrevista à agência Sputnik, o senador colombiano Antonio Navarro Wolff, ao comentar os 15 anos do acordo com os EUA para combater a guerrilha e o tráfico de drogas, disse que "o Plano Colômbia foi um sucesso militar e um fracasso político". 

    Segundo Navarro Wolff, ex-dirigente da guerrilha M19 e considerado uma das maiores autoridades da Colômbia para falar de paz, “o Plano Colômbia foi uma reestruturação das forças armadas, que permitiu ao Estado retomar a iniciativa no campo militar”. 

    “Militarmente foi um sucesso, mas o plano também tinha um componente de desenvolvimento social e substituir cultivos ilícitos, que falhou. A região de Putumayo é tão ruim hoje como há 15 anos. O plano foi um sucesso militar e fracasso social”, observou o senador. 

    Ao ser questionado sobre a possibilidade de incorporar as FARC ao processo político, Navarro Wolf disse que “eles não vão ter muito sucesso inicial, porque eles têm uma imagem negativa entre a população urbana e até mesmo em áreas rurais”. No entanto, ele destaca que haverá uma onda de opinião positiva com a assinatura do acordo de paz, o que lhes permitirá continuar a existir como uma força política nas eleições.

    O Governo da Colômbia e as FARC negociam desde novembro de 2012 em Cuba para assinar um acordo final que poria um fim ao conflito armado de mais de meio século, que é considerado o mais antigo do continente.

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    Tags:
    Plano Colômbia, acordo de paz, FARC, Juan Manuel Santos, Barack Obama, Colômbia, EUA
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