05:05 22 Outubro 2021
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    A Argentina começa oficialmente nesta terça-feira, 2, as rodadas de negociação com os chamados fundos abutres, tentando um acordo sobre a dívida não paga em 2001, no valor de US$ 100 bilhões. O secretário das Finanças do governo argentino, Luis Caputo, se reunirá em Nova York com o representantes dos fundos, Daniel Pollack.

    “Podemos esperar uma negociação muito complicada, porque o Governo Macri pensou que ser um governo política e ideologicamente alinhado aos setores de poder dos Estados Unidos traria uma negociação mais tranquila, e não é o caso”, diz o economista argentino Fabian Amico, atualmente na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ). Com a experiência de quem passou pelo Ministério da Economia argentino de 2009 a 2012 e integrou o Centro de Economia e Finanças para o Desenvolvimento da Argentina, ele prevê um cenário de incertezas e custos altos qualquer que seja o resultado das conversações.

    “Embora esses fundos sejam apenas 7% do total de credores, eles têm muito poder de negociação. Será muito difícil aceitarem algum tipo de desconto, a não ser que haja uma pressão, como dos Estados Unidos, para aceitar algum abatimento”, diz.

    Amico afirma que o grande problema da Argentina hoje é a extrema necessidade de investimento externo para assegurar a retomada da economia. Sem acordo com esses fundos e os credores, o país fica impossibilitado de tomar tais recursos, ou então tem que pagar taxas de juros muito mais elevadas.

    Em 2014, o juiz Thomas Griesa, da Corte de Nova York, congelou o pagamento de US$ 539 milhões que o Governo argentino prometera aos investidores que aceitaram a renegociação da dívida até que fosse pago o US$ 1,3 bilhão devido aos fundos abutres. Griesa chegou a determinar o congelamento de ativos do Banco Central argentino como garantia para esses pagamentos, o que provocou forte reação da Casa Rosada e até o parecer da Corte Suprema americana derrubando a determinação.

    Fabio Amico lembra que um dos temores do novo Governo argentino – a falta de acordo com os fundos abutres, o pagamento pleiteado de US$ 1,3 bi e a busca dos demais credores, na Justiça em receber o mesmo tratamento – agora não tem razão de ser. A chamada sigla Rufo (Rights Upon Future Offers), que determina que uma oferta em melhores condições a um credor tem que ser feita igualmente a todos os demais, venceu em dezembro passado.

    “Hoje, apenas 6% dos credores que concordaram com as condições de reestruturação da dívida, os chamados “me too” (“eu também”), teriam condições legais de pedir equiparação no pagamento”, observa o economista, para quem seja qual for o resultado da negociação a Argentina terá dois grandes desafios: se firmar um acordo com os fundos abutres e pagar o que reclamam, o país volta a ter acesso aos mercados de crédito internacionais, mas terá um aumento expressivo da sua dívida. Se não houver acordo, o país perde financiamento externo e terá que pagar taxas cada vez mais altas, como prêmio de risco aos financiamentos.

    “Em 2017 e 2018, a Argentina terá vencimentos importantes de títulos da divida. O problema é que, se tomar empréstimos de curto prazo agora, terá que pagá-los em três ou quatro anos. Esse problema teve origem nos anos 90, quando se tomava dívida sem previsão de sustentabilidade dessa dívida no futuro. O Governo Macri não tem cautela com o endividamento em dólar”, finaliza o economista.

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    Tags:
    Argentina, EUA, Nova York, Mauricio Macri, Fabian Amico, Thomas Griesa, fundos abutres
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