01:00 20 Janeiro 2020
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    Apesar de Pequim pedir repetidamente a Washington a se abster do envio de navios militares às águas territoriais reivindicadas pela China, a marinha dos EUA, para grande exultação dos neoconservadores, conduziu neste sábado (30) mais uma operação de liberdade de navegação na área disputada no mar da China do Sul.

    Lembramos que ontem (30) o destróier USS Curtis Wilbur da Marinha dos EUA passou a 12 milhas marítimas da ilha de Triton, território reclamado pela China no arquipélago Paracel, no mar da China do Sul. O navio estadunidense não avisou de antemão a China, Taiwan e Vietnã, que reclamam as ilhas como seu território. O Ministério da Defesa da China chamou esta ação de “não profissional e irresponsável”, acrescentando que tais operações “violam severamente as leis chinesas” e minam a paz e estabilidade regionais. 

    Um dos líderes neoconservadores dos EUA, que os seus opositores às vezes chamam de “falcão”, o senador John McCain, emitiu um comunicado no qual elogia a operação pelo fato de desafiar as “excessivas reivindicações marítimas” que alegadamente limitam os direitos e liberdades de outras nações segundo a lei internacional. Ele também manifestou esperança de que ações semelhantes “se tornem tão rotineiras que a China e outros reivindicantes irão aceitá-las como ocorrências normais”. 

    Entretanto, McCain parece ignorar o fato de que a China não tem nada contra a passagem de mais de 100 mil navios pelo mar da China do Sul, zona de importantes comunicações marítimas. Pequim manifesta-se contra passagem de navios militares pelas suas águas territoriais sem aviso prévio. Além disso, a China declarou repetidamente que está pronta a resolver quaisquer disputas territoriais na área através de negociações bilaterais com os países da zona, mas não com potências do exterior.

    China constrói ilhas artificiais no arquipélago Spratly
    © REUTERS / U.S. Navy/Handout via Reuters
    China constrói ilhas artificiais no arquipélago Spratly
     Vale lembrar que o último incidente deste gênero aconteceu em Outubro, quando o destróier Lassen da Marinha dos EUA entrou na área das ilhas Spratly, que a China considera como suas, tendo passado a 12 milhas marítimas do território reivindicado pela China sem notificação prévia, o que provocou uma reação negativa de Pequim. O navio navegou sem realizar atividade militar, o que é permitido pela lei internacional (princípio de “passagem inocente”).

    A China reivindica mais de 90 por cento do mar da China do Sul, mas há alegações similares por parte de Indonésia, Filipinas, Vietnã, Brunei, Malásia e Taiwan.

    Os EUA não manifestam uma posição concreta na disputa territorial mas opõem-se fortemente à construção chinesa de ilhas artificiais na região. Washington teme que as ilhas possam ser usadas como postos militares, enquanto Pequim declara que irão servir em primeiro lugar para fins humanitários.

    Tags:
    desafios, disputa territorial, navios de guerra, tensão, USS Curtis Wilbur, Marinha dos EUA, John McCain, Ilhas Spratly, Mar do Sul da China, China, EUA
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