02:44 26 Setembro 2017
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    Caminhões do petróleo, que, segundo o Ministério de Defesa da Rússia, estão sendo utilizados por militantes do Daesh, são atingidos por ataques aéreos realizados pela Força Aérea da Rússia, em um local desconhecido na Síria, nesta imagem tomada de um vídeo divulgado pela pasta de Defesa da Rússia em 18 de novembro

    Ministro da Defesa da Grécia: grande parte do petróleo do Daesh passa pela Turquia

    © REUTERS/ Russian Defence Ministry
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    O ministro da Defesa Nacional da Grécia, Panos Kammenos, disse que a maior parte do petróleo da organização terrorista Daesh (Estado Islâmico) passa pela Turquia, que acaba financiando o terrorismo através dessas transações.

    A declaração aconteceu durante uma coletiva de imprensa que se seguiu ao encontro de Kammenos com o ministro da Defesa de Israel Moshe Ya'alon.

    Na ocasião, jornalistas perguntaram ao ministro grego se a Turquia poderia integrar o eixo da luta contra o terrorismo ao lado de Israel, Chipre, Grécia, Egito e Jordânia, e quais seriam as condições necessários para isso.

    "Todos nós queremos que a Turquia tenha boas intenções e venha até nós para integrar um planejamento conjunto contra o terrorismo. Todos nós queremos que o comportamento da Turquia corresponda aos padrões e normas do direito internacional. Isso requer uma mudança nas atitudes da Turquia" – disse Kammenos.

    "Para se ter boas relações e aliança com qualquer país, em primeiro lugar você precisa reconhecê-lo como tal. Turquia até hoje não reconhece o Chipre" – completou o político.

    "Em segundo lugar, o tema do terrorismo. A verdade é que grande parte do petróleo que vem do Daesh, que vem dos terroristas, passa pela Turquia, e através da Turquia passa o financiamento do terrorismo. Seria bom se a Turquia decidisse mudar a sua relação, não cooperar com o terrorismo, não promover ações que causassem problemas à região, se usasse o financiamento da União Europeia e conseguisse em seu próprio benefício econômico deter os refugiados na costa da Ásia Menor" – completou Kammenos.

    Ele exortou o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, a mudar o rumo do seu país.

    "Estamos aqui com as melhores intenções. Esperamos que o governo [do presidente Erdogan], ao invés de conduzir a Turquia para o fundamentalismo, desviasse o barco para levá-lo aos valores do Ocidente, aos valores do eixo do bem, para o bem de seus cidadãos e da região como um todo" – declarou o ministro grego da Defesa.

    Nos últimos dias, Kammenos fez uma série de duras declarações com relação à Turquia. Após se reunir com o ministro da Defesa do Chipre, em 18 de janeiro, ele revelou que, muito em breve, a União Europeia discutirá um novo plano de estratégia para questões relacionadas à defesa, e que deverá incluir decisões sobre a defesa e o reconhecimento das fronteiras europeias. Nas palavras do ministro grego, um dos pontos tratados será a inadmissibilidades da violação das fronteiras da Europa por aeronaves turcas.

    Falando sobre a regulação da questão cipriota, Kammenos disse ter, antes de tudo, esperanças de que o problema seja resolvido com base no direito internacional. "O exército turco e as forças de ocupação, sem dúvida, não deverão participar desta decisão. Seria como nomear um pedófilo para dirigir um jardim de infância, dizendo ser possível manter as forças de ocupação no país, e considerar que elas podem fazer parte da solução" – explicou o ministro.

    Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan
    © AFP 2017/ ADALBERTO ROQUE
    Durante a coletiva de imprensa desta quarta-feira (27), Kammenos destacou ainda as ótimas relações de cooperação entre os ministérios da Defesa da Grécia e de Israel.

    "Nós podemos – e esse é o objetivo – criar um eixo de segurança que começasse em Israel, passasse por Chipre até a Grécia e – por que não – seguisse ao norte para a Bulgária e ao sul para o Egito e a Jordânia" – disse Kammenos.

    Uma reunião trilateral entre líderes da Grécia, Chipre e Israel está marcada para acontecer na quinta-feira (28).

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    Tags:
    financiamento do terrorismo, financiamento, petróleo, Daesh, Estado Islâmico, Panos Kammenos, Chipre, Turquia, Grécia, Síria, Israel
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