04:59 22 Outubro 2021
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    Mauricio Macri está perdendo a batalha com os fundos abutres

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    A Argentina enfrenta novo impasse na negociação da dívida de 2001 (à época, US$ 100 bilhões), com credores internacionais. Os chamados fundos abutre – 7,6% dos grandes credores que não aceitaram o desconto de 70% do valor de face dos títulos e o parcelamento em até 30 anos – exigem o desembolso de US$ 350 por cada US$ 1 devido.

    Para tentar contornar essa situação, o Presidente Mauricio Macri e a cúpula de sua equipe econômica estão no circuito Washington-Nova York buscando contornar mais esse impasse. A oferta de US$ 120 por cada US$ 1, porém, não foi aceita até agora pelos grandes fundos abutres, como Elliot Management, NM Dart, Olifont, ACP Master, entre outros.

    Para agravar a situação, o Banco Central da Argentina tem reservas internacionais estimadas hoje em US$ 20,6 bilhões, bem abaixo, por exemplo, dos US$ 380 bilhões do BC brasileiro. Sem crédito e sem novas fontes internacionais de investimento, o país enfrenta dificuldades para a retomada do crescimento econômico, o combate à inflação e a modernização do parque industrial.

    O diretor da RC Consultores, José Válter, afirma que os fundos abutres são hoje o principal entrave para se chegar a um acordo sobre a dívida argentina.

    “A Argentina pagou um valor abaixo do que devia porque não tinha como quitar o débito na ocasião. A maioria dos credores aceitou a proposta de refinanciamento, mas numa segunda etapa muitos investidores entraram na Justiça para receber o valor inteiro da dívida.”

    A Justiça americana deu ganho de causa aos fundos abutres e determinou que eles recebessem US$ 1,3 bilhão. O país vinha pagando aos demais credores, mas os pagamentos foram suspensos por decisão da Corte de Nova York, que exige que os desembolsos dessa dívida reestruturada só sejam retomados com a quitação do débito com os fundos abutres.

    Para o diretor da RC Consultores, a oferta de US$ 120 por US$ 1 devido a esses fundos pode representar uma janela de oportunidade.

    “É preciso negociar, porque só assim o país poderá voltar ao mercado financeiro internacional. Essa queda de braço só prejudica a Argentina, que passa por um momento difícil. Quando o barril do petróleo estava acima de US$ 100, a Venezuela ajudou, e o país tem recebido crédito também da China, mas o que a Argentina precisa é de uma solução de mercado.”

    Segundo José Válter, o maior risco neste momento é a liquidação compulsória da dívida com os fundos abutres, isso porque cláusulas do contrato de refinanciamento permitem que mesmo os credores que já aceitaram as condições de refinanciamento possam voltar à Justiça reclamando os mesmos direitos indenizatórios que os fundos receberiam. Alguns cálculos de mercado estimam o custo dessa hipótese em US$ 500 bilhões.

    “Creio que o Governo Macri está negociando da melhor forma que pode, com um discurso mais flexível, diferente do adotado pela ex-Presidente Cristina Kirchner. Ainda assim, vale observar que a banca de advogados contratada pela administração argentina nos Estados Unidos é especializada em confronto legal e não em negociação.”

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    Tags:
    Argentina, Washington, EUA, Nova York, Cristina Kirchner, Mauricio Macri, Banco Central da República Argentina, investimentos, Negociação, dívida externa, credores internacionais, fundos abutres, reservas internacionais
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