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    Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, durante a entrevista coletiva em Moscou, 26 de janeiro de 2016

    Lavrov: esforços da aviação russa ajudaram a alterar situação na Síria

    © Sputnik / Grigory Sysoyev
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    Na terça-feira (26), o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse durante a sua entrevista coletiva em Moscou que as ações da aviação russa na Síria ajudaram a alterar a situação no país a favor das forças governamentais e pró-governamentais.

    Operação aérea na Síria

    "As ações da Força Aeroespacial russa, após o pedido do governo sírio, ajudaram de forma significativa a alterar a situação neste país e a reduzir o número de territórios que estão sob o controle dos terroristas", afirmou Lavrov.

    Segundo o chanceler russo, a operação russa tornou claro quem luta contra terroristas, quem ajuda os terroristas e quem tenta usá-los para atingir seus objetivos egoístas.

    Além disso, Lavrov afirmou que os meios militares não são suficientes para lutar contra o terrorismo, é preciso usar também meios políticos.

    Relações com o Ocidente

    O ministro russo afirmou que o Ocidente continua agindo de forma não construtiva em relação à Rússia e reforçando o potencial militar da OTAN perto de fronteiras russas.

    "Agora destacamos a continuação de uma linha política não construtiva e bastante perigosa em relação à Rússia, inclusive o reforço do potencial militar da OTAN perto das nossas fronteiras, a criação de segmentos do sistema global contra mísseis norte-americano. Nos trabalhos deste sistema se envolvem países europeus e do Nordeste da Ásia", afirmou Lavrov.

    Entretanto, agora as relações entre a Rússia e os países ocidentais passam por um período difícil mas a Rússia considera que o futuro das relações será brilhante.

    Sobre a criação de novo sistema internacional

    Lavrov sublinhou que o principal desafio internacional para a Rússia é a necessidade de estabelecer um sistema internacional justo e democrático. Entretanto, a Rússia não poderá atingir este objetivo sozinha e precisará dos seus parceiros internacionais. 

    Além disso, o chanceler russo afirmou que a desvantagem maior na política internacional de hoje é a falta de vontade de chegar a acordos. Foi esta razão que levou a uma demora do início de negociações sobre a Síria.

    Ao mesmo tempo, Lavrov não considera que é necessário emendar a Carta da ONU porque é "um documento flexível".

    Resolução do conflito na Síria

    Na opinião do chanceler russo, um grande leque de líderes da oposição síria deve participar das negociações, inclusive curdos sírios. Lavrov disse que sem eles as negociações não serão frutíferas porque a comunidade internacional quer uma resolução política final na Síria.

    O diplomata russo destacou que a Rússia não convenceu o presidente sírio Bashar Assad de se retirar do cargo e não prometeu prestar abrigo a Assad.

    Regularização da crise na península Coreana

    Lavrov disse que a resolução do problema coreano consiste em que ninguém na península Coreana deve ter armas nucleares.

    "Nem a Coreia do Norte, nem a Coreia do Sul, nem os EUA que não devem levar ali elementos do seu arsenal nuclear", afirmou o chanceler russo.

    Segundo Lavrov, o único meio de resolver o problema é reiniciar negociações do sexteto. A Rússia está contra propostas de realizar negociações sem a Coreia do Norte porque significa "um isolamento".

    O chanceler russo afirmou que a Rússia realizou consultas com os EUA, a China, a Coreia do Sul e o Japão e não está segura de que a Coreia do Norte tem realizado um teste de bomba de hidrogênio.

    Sobre a situação no Afeganistão

    Lavrov disse que o Daesh já começou a conquistar a influência do Talibã no Afeganistão.

    "A decisão recente dos EUA de permitir aos militares norte-americanos perseguir os terroristas é um reconhecimento de fato de que o Daesh no Afeganistão consolida-se e exerce mais e mais influência ali tomando-a também dos talibãs", disse Lavrov durante a sua entrevista coletiva.

    Sobre as relações com o Japão

    Moscou não considera que a assinatura do tratado de paz com o Japão é o sinônimo da resolução da disputa territorial entre os dois países.

    "É um passo necessário para que as nossas relações sejam normais não somente em termos do seu conteúdo mas também da vista jurídica", afirmou Lavrov.

    Primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe
    © AP Photo / Shizuo Kambayashi
    Entretanto é impossível concluir um tratado de paz sem reconhecer os resultados da Segunda Guerra Mundial. A Carta da ONU diz que os resultados da guerra não podem ser revisados. O Japão tem de respeitar esta regra.

    Sobre as relações com os EUA

    Moscou espera que os EUA realizem o reinício das relações nem só com a Rússia mas com todo o mundo.

    "Queria que os EUA realizem o reinício [das relações] com todo o mundo, que o reinício seja comum, que juntemos todos e confirmemos uma vez mais o nosso respeito à Carta da ONU e confirmemos o nosso respeito aos princípios que são incluídos nesta Carta inclusive a não interferência nos assuntos internos, o respeito à soberania e à integridade territorial e o direito de povos à autodeterminação", disse Lavrov.

    Sobre as relações com a China

    "Os laços entre a Rússia e a China estão vivendo o melhor período em toda a sua história", disse Lavrov.

    A Rússia tem mecanismos mais extensivos de cooperação com a China que com outros países.

    Tags:
    resolução, crise, negociações, conflito, terrorismo, aviação, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Síria, Rússia
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