06:36 22 Novembro 2019
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    Presidente eleito de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa
    © AFP 2019 / Patricia De Melo Moreira

    Conflito à vista: Portugal terá premier de esquerda e presidente de direita

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    A eleição do professor de Direito Constitucional e comentarista político de televisão Marcelo Rebelo de Sousa para a Presidência de Portugal conseguirá aglutinar o país rumo ao crescimento econômico após a superação da crise?

    O Professor Marcelo, como é chamado pelo seu público na TV, responde afirmativamente a esta questão, e o garantiu no momento mesmo em que foi informado ter saído vencedor do pleito presidencial já no primeiro turno, realizado no domingo, 24.

    Eleito com 52% dos votos, o que dispensou a realização do segundo turno previsto para 14 de fevereiro, Marcelo Rebelo de Sousa é descrito como um político de centro-direita. Em razão de sua ideologia, alguns analistas políticos chegaram a questionar como será a sua convivência com o chefe de Governo de Portugal, o socialista Antônio Costa. O próprio Professor Marcelo se encarregou de tranquilizar a opinião pública portuguesa ao afirmar que, para ele, o mais importante é tirar Portugal da crise econômica, e para isso é necessário que haja entendimento político. Por esse motivo, não pedirá a dissolução do Governo – uma prerrogativa do presidente português – e assegurou que o Ministério escolhido por Costa permanecerá o mesmo.

    Especialista em assuntos da União Europeia, o Professor Kai Enno Lehmann, da Universidade de São Paulo (USP), diz que Marcelo Rebelo de Sousa, “além de ser um exímio analista político, proporcionou lições de política ao declarar, logo após eleito, que a sua prioridade é recuperar Portugal e não se envolver em questões que eventualmente o oponham ao primeiro-ministro e ao Parlamento”.

    Sobre o relacionamento do presidente eleito (que será empossado em 9 de março) com o Governo, o Professor Lehmann afirma que “existe potencial de conflito simplesmente porque o primeiro-ministro se sustenta no poder com a ajuda de partidos da esquerda mais radical”.

    “O Primeiro-Ministro Antônio Costa é socialista, de partido de centro-esquerda, mas os aliados dele são comunistas e ex-comunistas, enquanto o novo presidente é de centro-direita. A questão é: como as forças mais radicais, principalmente no Governo, vão se adaptar a essa realidade de ter um Governo da esquerda e um presidente de centro-direita. Os dois homens, em si, dão a impressão de que podem trabalhar em conjunto, mas vamos ver como os respectivos partidos vão lidar com essa situação.”

    A respeito das comparações que muitos analistas políticos fazem – de Portugal com a Grécia – Kai Enno Lehmann diz que “de um modo geral as perspectivas econômicas para a zona do euro no momento parecem um pouco pior do que no ano passado”.

    “Portugal tem que se cuidar. Ainda tem um programa de austeridade do Governo anterior, com certas exigências da União Europeia a respeito de austeridade e déficits orçamentários, e isso às vezes entra em conflito com o programa do Governo que ganhou as eleições com uma plataforma de antiausteridade.”

    Lehmann alerta ainda para o fato de que “teremos um novo Governo na Espanha que provavelmente terá um primeiro-ministro de esquerda, o que vai mudar a dinâmica na região. Como gerenciar esse cenário?”

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    Tags:
    política econômica, eleições presidenciais, austeridade, déficit, economia, USP, Antônio Costa, Marcelo Rebelo de Sousa, Kai Enno Lehmann, União Europeia, Grécia, Portugal, Espanha
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