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    A inteligência indiana junto com o Grupo de Proteção Especial (SPG, na sigla em inglês) estão já por alguns dias em estado de alerta elevado após a informação de que um grupo de crianças-bombas de 12-15 anos de idade, ligadas ao Daesh, teria cruzado a fronteira da Índia.

    Entrada do Mnistério do Interior da Índia em 12 de janeiro de 2016
    © AFP 2021 / MONEY SHARMA
    Segundo os serviços secretos, o seu objetivo principal é um atentado contra o premiê indiano Narenda Modi durante a comemoração do Dia da República, em 26 de janeiro. Esta informação foi revelada pelo jornal indiano The Times of India

    “A garantia de segurança do primeiro-ministro é a tarefa prioritária. Não faz diferença que seja uma criança, mulher ou pessoa idosa, sem a verificação correspondente a pessoa não se pode aproximar de Modi. Entretanto, as crianças de 12-15 anos são quase invisíveis na multidão. Todos sabem que Modi, desprezando as regras de segurança, gosta de comunicar com as crianças e os terroristas querem jogar esta carta usando crianças-bomba”, sublinhou o chefe da polícia do estado de Uttar Pradesh, Vikram Singh, em uma entrevista à Sputnik.

    Solo fértil

    O problema é que a Índia e os seus vizinhos são um incubador ideal para jovens-bomba. A situação foi comentada pelo especialista em assuntos do subcontinente indiano do Fundo Carnegie Pyotr Topychkanov:

    “Se falarmos das zonas de conflito, estas são diversas áreas da África e Oriente Médio. E ali os terroristas infelizmente usam as crianças de maneira eficaz. A fertilidade é alta, há muitas crianças, inclusive abandonadas. Elas são alimentadas, vestidas em uma base qualquer. E estas crianças (suicidas) tornam-se símbolos para as crianças que ainda não aderiram a estas organizações [terroristas], é uma prática bastante comum”.

    Entretanto não há muitos lugares na própria Índia onde tais “fábricas” de crianças-bombas podem ser organizadas, talvez somente a região de Cachemira, de maioria muçulmana. Mas tais campos, segundo a inteligência indiana, existem nos países-vizinhos, como o Paquistão e o Afeganistão. 

    Porquê a Índia?

    As organizações terroristas do tipo do Daesh afirmam muitas vezes que a Índia, com uma grande comunidade muçulmana, deve ser um país completamente islâmico e não deve ser governado por não muçulmanos.

    “É preciso tomar em conta que todo o subcontinente (India, Paquistão e Bangladesh) é, de uma maneira ou de outra, uma região onde os terroristas, e o Daesh em primeiro lugar, tentam ampliar a sua influência. Para alcançar tal objetivo, o Daesh está pronto para tudo, inclusive a dar um passo tão horrível como é o uso de crianças. Mas eu não acho que eles consigam realizar tal plano. Os serviços de segurança da Índia trabalham de forma metódica e antecipada, opina Zahida Hina, famosa colunista e defensora de direitos humanos  paquistanesa.

    O grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia e reconhecido como terrorista pelo Brasil) autoproclamou-se "califado mundial" em 29 de junho de 2014, tornando-se imediatamente uma ameaça explícita à comunidade internacional e sendo reconhecido como a ameaça principal por vários países e organismos internacionais. Porém, o grupo terrorista tem suas origens ainda em 1999, quando um jihadista de tendência salafita, o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, fundou o grupo Jamaat al-Tawhid wal-Jihad. Depois da invasão norte-americana no Iraque em 2003, esta organização começou a fortalecer-se, até transformar-se, em 2006, no Estado Islâmico do Iraque. A ameaça representada por esta entidade foi reconhecida pelos serviços secretos dos EUA ainda naquela altura, mas reconhecida secretamente, e nada foi feito para contê-la. Como resultado, surgiu em 2013 o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que agora abrange territórios no Iraque e na Síria, mantendo a instabilidade e fomentando conflitos.

    Tags:
    serviço secreto, crianças, atentado, polícia, terrorismo, Daesh, Narendra Modi, Paquistão, Bangladesh, Índia
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