17:25 23 Julho 2019
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    Evo Morales após receber o Doctor Honoris Causa na Universidade de Adour, na França, em 7 de novembro de 2015

    Há um 'plano estratégico' para Bolívia em Washington?

    © AFP 2019 / GAIZKA IROZ
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    Na tarde desta terça-feira (19), a agência de notícias cubana Prensa Latina citou um documento intitulado "Plano Estratégico para a Bolívia", divulgado supostamente pelo Instituto Interamericano para a Democracia (IID), uma instituição formada por dissidentes latino-americanos radicada nos Estados Unidos.

    Conforme a fonte citada, o documento contém a descrição de 23 "ações concretas orientadas a derrubar o governo do presidente [da Bolívia] Evo Morales".

    A notícia foi também veiculada por vários órgãos da mídia latino-americana. A informação foi primeiro divulgada ainda em 11 de janeiro pelo presidente do Senado boliviano, José Alberto Gonzales, que alegou que a oposição política usa como "manual" um documento intitulado "Plano Estratégico para a Bolívia". A mídia nacional registrou esta denúncia, feita durante um evento parlamentar. A Prensa Latina confirmou que esta declaração teve lugar.

    O documento ao qual a agência teve acesso diz o seguinte: "A democracia na nossa América Latina está em perigo <…> sequestrada por governos populistas, antissistema e e caudilhistas que proíbem, violam e amedrontam o pensamento liberal".

    Além disso, o documento teria sido "consensuado com dignos representantes da oposição ao regime de Evo Morales" e destaca como seus porta-vozes Rubén Costas, Luis Revilla, Félix Patzi, Samuel Doria, Fernando Tuto Quiroga e Manfred Reyes.

    A notícia vem um mês antes do referendo que pode permitir Evo Morales a se candidatar como presidente pelo terceiro mandato consecutivo. A data do referendo é 21 de fevereiro.

    Mais cedo neste ano, Evo Morales tem insistido que o seu povo gosta dele como presidente.

    Já a oposição boliviana milita em uma campanha do "não" para o dia 21 do segundo mês do ano.

    Outros 23 ítens citados pela agência incluem a "normalização das relações da Bolívia com os Estados Unidos", a promoção da divisão social, o incremento das verbas destinadas à oposição, inclusive provenientes do estrangeiro.

    Há até a sugestão de "manter e ampliar a campanha contra a ingerência venezuelana e cubana, para afetar a imagem e deixar o governo sem apoio popular", segundo a fonte.

    A Sputnik também teve acesso a uma versão em PDF do documento com o mesmo conteúdo.

    Capa do documento com suposto logotipo do IID, obtido pela Sputnik
    © Foto : Screenshot: Divulgação
    Capa do documento com suposto logotipo do IID, obtido pela Sputnik

    Instituto desmente

    O IID respondeu à declaração inicial de José Alberto Gonzales, insistindo, em um comunicado divulgado através do seu site que "rejeita tais declarações, porque este funcionário público apresentou um documento falso e falsificado, onde a personalidade e os distintivos do IID ficam suplantados".

    O Instituto afirma que a declaração do senador "provavelmente constitui um crime sério", o que será "determinado pelos tribunais".

    A parte boliviana ainda não emitiu mais declarações em relação ao assunto. A Sputnik está acompanhando a situação.

    Logotipo do IID visto no site do Instituto, no comunicado que desmente a denúncia feita por Gonzales
    Logotipo do IID visto no site do Instituto, no comunicado que desmente a denúncia feita por Gonzales
    Tags:
    Evo Morales, EUA, América Latina, Bolívia
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