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    Crise nuclear das Coreias (56)
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    A Coreia do Norte surpreendeu o mundo nesta quarta-feira, 6, ao confirmar ter realizado com êxito um teste de dispositivo nuclear de hidrogênio miniaturizado. A reação internacional foi imediata – e radicalmente contrária à audaciosa ação do líder norte-coreano, Kim Jong-un.

    Ao ser confirmada a explosão da Bomba H, China e Rússia, os únicos interlocutores internacionais da Coreia do Norte, protestaram veementemente contra o teste. Coreia do Sul e Japão anunciaram reforço imediato de suas medidas de proteção e defesa, Estados Unidos e União Europeia consideraram a atitude de Kim Jong-un inadmissível, assim como a OTAN. E a ONU, que convocou sessão extraordinária do seu Conselho de Segurança para esta mesma quarta-feira, informou que a Coreia do Norte já estava mais do que advertida a não efetuar testes com armas nucleares, sob pena de enfrentar pesadas consequências.

    O Governo brasileiro, por sua vez, condenou em nota oficial, ”veementemente, o teste realizado pela RPDC, que constitui clara violação às resoluções pertinentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas”. A nota do Itamaraty acrescenta que “o Brasil conclama a RPDC a cumprir plenamente suas obrigações perante as Nações Unidas, a reintegrar-se o mais cedo possível ao Tratado de Não Proliferação Nuclear como Estado não nuclearmente armado, e a assinar e ratificar o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, observando estritamente, nesse ínterim, a moratória de testes nucleares.”

    Para Wellington Amorim, especialista brasileiro em políticas da Ásia, a atitude de Kim Jong-un, de tentar medir forças com o resto do mundo, poderá enfraquecer o líder norte-coreano perante a comunidade internacional, porém convenceu a todos de que ele não aceita limitações externas para a utilização do seu aparato militar.

    “Não interessa a ninguém, num mundo que está tão conflagrado, e para as grandes potências em especial, que novos focos de instabilidade surjam, ainda mais num país que não é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, do qual saiu em 2003”, diz Wellington Amorim. “A Coreia do Norte é um foco a mais de instabilidade numa região geopoliticamente carregada de instabilidade, e não é interesse, do mundo em geral e dos países fronteiriços, que uma corrida nuclear se estabeleça na área.”

    O Professor Amorim explica melhor a questão provocada por Kim Jong-un:

    “Um país ter artefatos nucleares não é tão problemático em si, mas possuir vetores, ou seja, ter como levar esses artefatos a outros países, sim. Ao que se sabe, por enquanto, a Coreia do Norte não teria essa capacidade de transporte. Outra dúvida que surgiu é que a bomba teria sido uma bomba não termonuclear pura, não de fusão completa, e sim apenas o gatilho teria sido de fusão. Por que alguns serviços de espionagem, como o da Coreia do Sul, afirmam isso? É, que pelo grau de detonação, o impacto sismológico da explosão foi semelhante ao impacto dos três testes anteriores, feitos em 2006, 2009 e 2013. Então, há a possibilidade de não ser uma arma termonuclear completa. De qualquer forma, o efeito já está provocado, a questão está com o Conselho de Segurança da ONU. Então, o grande problema é: que tipo de sanção colocar para um país assim?”

    O jornalista Nélson Francisco Düring, editor da revista Defesanet, destaca que “a Coreia do Norte é um Estado militarizado. Tudo para ela é desenvolvido no sentido de ter um poder militar, e em confronto com o Japão e com os inimigos que o regime pensa ter. Embora com equipamento já de certa maneira ultrapassado, não é dos mais modernos, ela ainda tem aquele sistema de contabilidade: conta os números, grande quantidade de equipamentos e de homens, o que, para um país pequeno, com limitados recursos, pesa muito na sua economia”. 

    O especialista em defesa Nélson Francisco Düring questiona: aonde Kim Jong-un quer chegar depois dessa explosão da bomba de hidrogênio? E responde:

    “Ele provavelmente vai querer ter benefícios econômicos para o seu país em troca de não fazer novos testes nucleares. A Coreia do Norte já fez isso no passado, prometer encerrar o seu programa nuclear em troca de comida, e isso não deu certo. Mas agora o país tem a arma, tem um sistema mais ou menos eficaz de lançamento e pode chegar e obter vantagens econômicas, comerciais, e, de alguma maneira, tentar inserir a Coreia do Norte no sistema internacional.”

    Tema:
    Crise nuclear das Coreias (56)

    Mais:

    ONU ameaça impor novas sanções à Coreia do Norte após teste nuclear
    Tags:
    Coreia do Norte, Coreia do Sul, Japão, Ásia, Estados Unidos, União Europeia, China, Rússia, Kim Jong-un, Wellington Amorim, Nelson Düring, Itamaraty, OTAN, ONU, Bomba H, bomba nuclear, bomba de hidrogênio, explosão nuclear
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