21:33 20 Agosto 2019
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    O presidente boliviano, Evo Morales
    © REUTERS / Juan Carlos Ulate

    Evo Morales busca mais uma reeleição para levar a Bolívia a um salto de qualidade

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    Em 21 de fevereiro de 2016 o eleitorado da Bolívia irá às urnas para responder, num referendo, se concede ao Congresso votar uma Proposta de Emenda Constitucional que altere o Artigo 168 e permita ao atual líder boliviano disputar mais um mandato consecutivo.

    Se autorizado e vencendo o próximo pleito presidencial, Evo Morales permanecerá à frente do Governo até 2025.

    Segundo a emissora de TV Telesur, da Venezuela, o Presidente Morales se reuniu com mais de 3 mil representantes de organizações ligadas ao Movimento para o Socialismo para os quais declarou que a sua eventual permanência no poder até 2025 não é um projeto pessoal. Nas palavras de Morales, trata-se de um período que considera minimamente necessário para a consolidação dos planos de crescimento socioeconômico da Bolívia.

    Neste encontro, Evo Morales deixa claro que só aceitará candidatar-se a um novo mandato eletivo se esta for a vontade expressa da sociedade boliviana.

    O especialista João Cláudio Pitillo, pesquisador do Núcleo das Américas da UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro, afirma que o Presidente Evo Morales é hoje, “indiscutivelmente, um líder sul-americano que precisa ser ouvido e respeitado, uma vez que, tanto à esquerda quanto à direita, há reconhecimentos de que ele está levando a Bolívia a um caminho de inegável crescimento econômico”.

    Juan Evo Morales Ayma foi empossado na Presidência da Bolívia em 22 de janeiro de 2006 e até hoje está no poder, graças a vitórias obtidas nos processos eleitorais. Ele é o primeiro indígena a atingir o ponto máximo da política do seu país, a Presidência da República.

    “O Presidente Evo Morales não tem um projeto pessoal”, garante João Cláudio Pitillo. “O intuito de permanecer no Governo não é projeto de um grupo de poder pelo poder. Pelo contrário, é um projeto político, organizado por um partido, e atende à demanda dos movimentos sociais e da sociedade boliviana organizada. Claro que ele está colocando isso para escrutínio público, ele não fechou questão e vai ouvir a sociedade. Pelos nossos estudos e pelo que nós temos visto, dos saltos de qualidade que a Bolívia deu nos últimos anos, referente ao nível social e à sua economia, é bem provável que essa ideia ganhe corpo.”

    O pesquisador da UERJ diz ainda que, “dados os problemas da América Latina, contrapor-se ao subdesenvolvimento, à dependência e às orquestrações do imperialismo não é uma tarefa fácil. Acredito que a permanência do Presidente Evo Morales seja a ideia de alargar a presença do MAS – Movimento Ao Socialismo e das organizações indígenas, solidificar esse trabalho para que elas possam conduzir o projeto político que Morales representa, para além do Presidente Evo, porque de outra maneira esse projeto corre o risco de ficar emperrado na figura do Presidente Evo Morales”.

    Sobre o fato de que assim Evo Morales estaria concretizando o seu projeto econômico, que transformou a Bolívia em modelo citado por outros presidentes da América do Sul, inclusive pelo neoliberal Mauricio Macri, da Argentina, O Professor Pitillo diz que, “se não solidificar esse projeto, Evo vai dar um passo decisivo, porque a oposição a ele vem encolhendo”.

    “A oposição boliviana estava restrita aos latifundiários da região de Santa Cruz de la Sierra, de regiões próximas ao Brasil, e vem se apequenando frente aos avanços do Governo e às conquistas sociais. Acredito que o Presidente Evo deva ter feito um exame da situação na América Latina e ter percebido que é possível que o salto de qualidade que a Bolívia vem dando é significativo para a história do país mas ainda tímido para as demandas da população boliviana. Este movimento ganha um corpo maior, tem que transcender a fronteira boliviana.”

    João Claúdio Pitillo observa, porém, que “os sucessivos anos de atraso e dependência que a Bolívia amargou – isso não vai ser mudado em apenas uma década. Eu acredito que o Presidente Evo Morales, com sua equipe, tenha algo de novo para esse novo mandato. Não acredito que esse novo mandato que está sendo pleiteado vá ser somente uma continuidade. Acho que o que o presidente vai apresentar nesse novo mandato é um salto maior, para que a Bolívia possa dar um passo decisivo para sua libertação”. 

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    Tags:
    Revolução Bolivariana, movimentos sociais, TeleSUR, UERJ, MAS, Mauricio Macri, João Cláudio Pitillo, Evo Morales, Bolívia, Venezuela, América Latina, Argentina, Brasil
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