12:19 17 Setembro 2019
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    John Campbel, comandante da missão estadunidense no Afeganistão, em 25 de novembro

    'EUA só querem influência na região próxima da Rússia'

    © AFP 2019 / MASSOUD HOSSAINI
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    Afeganistão entre OTAN e Talibã (109)
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    Faz exatamente um ano, em 28 de dezembro de 2014, que os EUA deram como terminada a Segunda Guerra no Afeganistão. Washington transferiu os poderes de manutenção da ordem ao Exército nacional e às forças de segurança.

    A fase que terminou há um ano era conhecida como Operação Liberdade Duradoura. A operação foi iniciada na sequência dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York, quando um grupo de aviões dirigidos por terroristas afiliados à al-Qaeda derrubou o símbolo da cidade, as duas torres do Centro de Comércio Internacional.

    Em 2001, depois dos ataques, as forças da coalizão, composta pelos exércitos norte-americano e britânico, conseguiu derrubar as posições do Talibã. "A libertação <…> do Afeganistão dos talibãs não passou de uma ação singular, de fachada. Além dela, os americanos não cumpriram nenhuma das suas promessas", disse, em uma entrevista à Sputnik, Rasekh Hafeez, do Partido da Solidariedade do Afeganistão.

    "Portanto, vá-se saber quem os impedia de fazer isso — especialmente na primeira etapa, quando a confiança nas forças internacionais era alta. Naquela altura, eles podiam conseguir tudo — se eles realmente o desejassem", frisou Hafeez.

    A general Nazifa Zaki, deputada do parlamento do Afeganistão, também criticou, falando à Sputnik, a atitude norte-americana:

    "Então eu pergunto: por que razão os EUA e a OTAN não prestaram a atenção devida e não criaram um exército eficiente o bastante para combater os terroristas?",

    Depois do fim (declarado e, pelos vistos, não real) da guerra, começou a operação "branda". Mais tarde, em maio, durante a cúpula da Aliança Atlântica na Turquia, o secretário-geral Jens Stoltenberg assegurou que o Afeganistão ficará com a OTAN, mas a OTAN "terá uma pegada ligeira".

    O comandante da campanha atual, batizada de Apoio Resoluto (Resolute Support, em inglês), chama-se John Campbell.

    O secretário da Defesa dos EUA, Ashton Carter (esquerda) conversa com o general John Campbell, chefe da missão Resolute Support (direita) no aeroporto de Cabul em fevereiro de 2015.
    © AFP 2019 / JONATHAN ERNST
    O secretário da Defesa dos EUA, Ashton Carter (esquerda) conversa com o general John Campbell, chefe da missão Resolute Support (direita) no aeroporto de Cabul em fevereiro de 2015.

    O fim de uma operação que durou mais de uma dúzia de anos deveria ter um resultado. Há resultados da campanha estadunidense no Afeganistão? O político Rasekh Hafeez duvida:

    "De que resultado podemos falar se a situação está piorando a cada dia? As estruturas internacionais indicam investimentos bilionários no Afeganistão, porém ninguém sabe onde estes bilhões vão parar. Construíram algo com estes bilhões? O desemprego está crescendo, e a quantidade não só de pobres, mas de extrema pobreza é de assustar. A agricultura está parada. O Afeganistão ocupa o primeiro lugar na produção de drogas, além de ser o país mais corrupto do mundo. Belos êxitos! Se pelo menos houvesse segurança… Os EUA só têm um objetivo no Afeganistão — conquistar influência em uma região fronteiriça com a Rússia, e o combate ao terrorismo no nosso país é só um pretexto para atingir seus objetivos".

    A Sputnik já escreveu sobre o crescimento do tráfico de drogas no Afeganistão. As autoridades antidroga russas têm notado, ao longo deste ano, que o tráfico parece ser o principal resultado da presença do contingente militar da coalizão.

    Processo de paz

    No domingo (27), o comandante das Forças Armadas do Paquistão, Raheel Sharif, visitou o vizinho Afeganistão. Foi combinado, para as primeiras semanas de 2016, um encontro com oficiais estadunidenses e chineses para, segundo a agência AP, discutir "assuntos ligados ao processo de paz".

    Atentados e confrontos

    Na manhã desta segunda-feira, um atentado matou um civil perto da sede da OTAN em Cabul, capital do Afeganistão.

    Local da explosão de um carro-bomba em Cabul em 28 de dezembro
    © AFP 2019 / SHAH MARAI
    Local da explosão de um carro-bomba em Cabul em 28 de dezembro
    Tema:
    Afeganistão entre OTAN e Talibã (109)

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    Tags:
    Talibã, John Campbell, Jens Stoltenberg, Afeganistão, EUA
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