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    Seymour Hersh: Pentágono passou informações em segredo a governo Assad

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    O Pentágono propositalmente subverteu a política americana em relação à Síria, sabotando esforços do país para ajudar rebeldes sírios e até passando informações sigilosas ao presidente sírio, Bashar Assad, segundo o jornalista Seymour Hersh.

    Em um artigo de quase sete mil palavras no London Review of Books, Hersh afirma que os Chefes de Estado Maior, principais líderes militares americanos, decidiram subverter propositalmente a política externa e formar uma aliança secreta com Assad e o presidente russo, Vladimir Putin.

    Como fonte, Hersh cita um anônimo "ex-conselheiro sênior" dos Chefes de Estado Maior.

    No verão (no hemisfério norte) de 2013, os Chefes descobriram que a Turquia havia cooperado com o programa da CIA para armar os chamados rebeldes "moderados". Ancara decidiu redirecionar o auxílio americano para extremistas, inclusive o Daesh e a Frente Nusra, afiliada da al-Qaeda, escreve Hersh.

    Os Chefes também descobriram que rebeldes sírios moderados não existiam e que a oposição era formada quase inteiramente por extremistas.

    Assim, na primavera de 2013, os Chefes decidiram começar a secretamente "fornecer inteligência americana a militares de outros países, com o entendimento de que essa informação seria passada ao Exército sírio", diz Hersh. No período, informações foram passadas a Alemanha, Rússia e Israel.

    O objetivo da aliança secreta com Assad era subverter os esforços de Obama, fortalecer Assad e ajudá-lo na luta contra o Daesh e outros extremistas, segundo o artigo.

    Em troca, os Chefes de Estado Maior pediram que Assad "controlasse" o Hezbollah de modo a não atacar Israel; renovasse negociações com Israel na questão das Colinas de Golã, território que Israel tomou da Síria décadas antes; concordasse em aceitar ajuda da Rússia; e realizasse eleições após o fim do conflito.

    Pouco depois, os Chefes manipularam para que a CIA enviasse armas obsoletas para rebeldes sírios, escreve Hersh. O jornalista afirma que a intenção era mostrar boa fé com Assad e convencê-lo a aceitar a oferta.

    A aliança secreta com Putin e Assad terminou em setembro deste ano, quando seu principal arquiteto, Martin Dempsey, se aposentou.

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    Tags:
    aliança, inteligência, política externa, subversão, Exército da Síria, CIA, Pentágono, Barack Obama, Vladimir Putin, Bashar Assad, Rússia, EUA, Síria
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