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    Banderia da Turquia vista durante protestos em Antália. 15 de novembro, 2015.

    Especialistas: Queda do Su-24 foi provocação turca coordenada com EUA

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    Turquia abate bombardeiro russo na Síria (115)
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    A derrubada do bombardeiro russo Su-24 pela Turquia foi uma provocação planejada aprovada antecipadamente por Washington, opinaram especialistas à emissora Sputnik.

    Na terça-feira (24), um caça russo Su-24 foi abatido na Síria. O presidente Vladimir Putin declarou que o avião foi abatido por um míssil "ar-ar" disparado de um avião turco F-16, tendo o avião caído em território sírio, a quatro quilômetros da fronteira com a Turquia. O presidente russo chamou ao abate do avião "golpe nas costas" por parte dos coniventes com o terrorismo. 

    Ancara declara que abateu o avião russo porque este último violou o espaço aéreo turco. Enquanto isso, ambos – o Estado Maior russo e o Comando da Defesa Aérea da Turquia confirmaram que o Su-24 se encontrava no espaço aéreo sírio no momento da derrubada e nunca violou a fronteira da Turquia, segundo dados de controle objetivo.

    Segundo declarou à Sputnik Mohammad Mujahid Zayat, o especialista em segurança, ex-procurador da Divisão de Inteligência geral egípcia, a decisão turca de abater o avião russo foi tomada para aumentar as tensões na região onde estão em curso várias tendências que pouco agradam a Ancara.

    "A Turquia receia a reaproximação entre a Rússia e o Irã, que estão criando uma espécie de coalizão, não só em relação à crise síria, mas também no nível da política regional em geral," disse.

    O especialista lembrou-se que o incidente com Su-24 coincidiu com a visita do presidente russo Vladimir Putin ao Irã, sublinhando que a situação foi criada pela Turquia para mostrar à OTAN que é preciso se opor também à reaproximação russo-francesa para o combate ao terrorismo do grupo EI, "o que não corresponde aos interesses dos Estados Unidos na Turquia".

    Zayat acredita que as ações de Ancara foram coordenadas com Washington antes de realização desta provocação.

    "O fato de que a Turquia imediatamente começou consultas com a OTAN em vez de falar com a Rússia apresentando desculpas e explicações prova isso", disse.

    Outro especialista, o analista politico egípcio Nabil Haitham está de acordo e disse à Sputnik:

    "A decisão turca não poderia ser tomada sem o apoio da OTAN, especialmente dos Estados Unidos".

    Ele sublinhou especialmente duas razões que o lado turco poderia ter para justificar a derrubada do avião russo: "para realizar um golpe moral contra a Rússia" e para "seduzir os russos para uma armadilha que poderia os distrair da luta contra o terrorismo, evitando que haja um equilíbrio de poder no Oriente Médio ".

    "Eu creio que isso [a provocação turca] fracassou porque os desenvolvimentos que aconteceram após o incidente não indicam que a Rússia tenha caído na armadilha, muito pelo contrário," disse Haitham.

    Ele notou que Moscou conseguiu estabelecer as regras de comportamento militar com o lado turco e os seus aliados em vez de responder à provocação.

    Segundo a opinião de Haitham, a Turquia começou uma luta arriscada com a Rússia e pode pagar "o preço alto" pelo incidente.

    Ambos os especialistas entrevistados admitem que a derrubada do Su-24 russo levará a um esfriamento sério nas relações entre os dois países.

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    Turquia abate bombardeiro russo na Síria (115)

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    opinião, OTAN, Rússia, EUA, Turquia
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