12:16 14 Dezembro 2018
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    Presidente russo Vladimir Putin com o então príncipe herdeiro Salman bin Albdulaziz Al Saud, atual rei saudita, em sessão plenária da cúpula do G-20 na Austrália, em 15 de novembro de 2014

    ‘Intenso balé diplomático do Kremlin no Oriente Médio fará História’, diz analista francês

    © AP Photo / Rob Griffith,Pool
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    Uma possível visita à Rússia até o final do ano por parte do rei saudita Salman bin Abdulaziz significa uma mudança radical no equilíbrio de poder do Oriente Médio e indica o protagonismo de Moscou na região, de acordo com o especialista em Oriente Médio Roland Lombardi.

    Em entrevista ao site de notícias francês Atlantico, o analista afirma que a Arábia Saudita parece estar perdendo sua posição na região: sua política de apoio a islamitas desde a infame Primavera Árabe virou um fiasco, e sua intervenção no Iêmen é um desastre. Além disso, as últimas iniciativas do reino no mercado europeu de petróleo (tradicionalmente dominado por fornecedores russos), como resposta ao crescimento das vendas de petróleo russo para a China, parecem ter poucas consequências de longa duração. 

    De acordo com o especialista, em meio às operações russas, iranianas e curdas na Síria e no Iraque, o equilíbrio de poder no Oriente Médio pode mudar a qualquer momento, garantindo o retorno do Irã à arena.

    Para Lombardi, o poder da Arábia Saudita, sua influência relativa e também a sua própria existência como Estado têm sido garantidos pelo petróleo e por seu status de guardiã dos lugares sagrados de Meca e Medina.

    Presidentes do Irã e da Rússia Hassan Rouhani e Vladimir Putin
    © AFP 2018 / ALEXEY NIKOLSKY / RIA NOVOSTI / AFP
    No entanto, de acordo com um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), as reservas de caixa do reino saudita estão caindo a um ritmo surpreendente e só deverão resistir a mais cinco anos, no máximo.

    Com o encolhimento das receitas do petróleo, somado ao investimento nulo nas áreas acadêmicas e tecnológicas, além de uma crise de água sem precedentes e do retorno do Irã ao palco internacional, Riad tem motivos de sobra para estar se sentindo pouco à vontade, diz o analista.

    "Como a religião xiita, que é uma religião muito organizada e hierarquizada, a nação multimilenar [Irã] também oferece a imagem de uma nação homogênea, estável, pragmática, disciplinada, também rica em petróleo e que, por sua vez, também forma engenheiros!", observa Lombardi, acrescentando que "para alguns, uma aliança com o Irã pode, portanto, substituir a aliança com a Arábia Saudita, cujo futuro é incerto. Os russos e, agora, os americanos, compreenderam isso. E mesmo que eles não gritem isso aos quatro ventos, os israelenses também estão bem conscientes".

    Assim, de acordo com ele, Riad bem poderia estar reconsiderando a crescente posição estratégica da Rússia no Oriente Médio. Aos olhos dos sauditas, ou pelo menos de seus atuais líderes, Moscou poderia vir a ser uma forma de contrabalançar a crescente influência iraniana na região.

    Portanto, o "negócio" entre a Rússia e a Arábia Saudita parece bastante claro, afirma Lombardi. "Da parte de Riad, um aumento dos preços do petróleo, provavelmente acompanhado pela compra de armas e de seu consentimento para permitir que o presidente [sírio Bashar] Assad permaneça temporariamente no poder".

    "Da parte de Moscou, mais cooperação com a Arábia Saudita na crise síria, em particular durante o período de transição política e, finalmente, uma forma de ‘direito de controle’ para os sauditas no que se refere à venda de armas para o Irã (como já é o caso com Israel)", opinou o analista.

    "Certamente, o intenso balé diplomático do Kremlin e de seus diplomatas fará história nos anais das relações internacionais", conclui Lombardi.

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    Tags:
    armas, balança de poder, equilíbrio de poder, poder, relações internacionais, história, diplomatas, diplomacia, petróleo, Primavera Árabe, Kremlin, FMI, Atlantico, Salman bin Abdulaziz Al Saud, Vladimir Putin, Bashar Assad, Roland Lombardi, Moscou, Iraque, Síria, Oriente Médio, Irã, Arábia Saudita, Rússia
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