23:59 28 Outubro 2020
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    O representante especial para o Ártico da chancelaria norte-americana disse que os EUA devem seguir o exemplo da Rússia em relação ao reforço da sua presença no Ártico.

    O representante especial pelo Ártico do Departamento de Estado norte-americano, Robert J. Papp, durante a reunião do Comité internacional da Câmara dos Representantes (câmara baixa do parlamento norte-americano) sobre a Segurança, economia e pesquisas no Ártico disse que não convém acusar a Rússia de militarização na zona ártica.

    “Não penso que isto seja militarização“, disse Papp.

    O oceanógrafo e navegador da Marinha norte-americana Timothy C. Gallaudet, que também participou da reunião, ecoou a ideia de Papp dizendo que a Rússia não se comporta de modo agressivo.

    Papp justificou as ações russas no Ártico destacando que isso é que os EUA deveriam fazer no Alasca.

    “Considero que o que eles [os russos] estão fazendo, na maioria dos casos, são coisas razoáveis, necessárias para assegurar a segurança ao longo do caminho marítimo o tráfego no qual está crescendo”, disse Papp.

    Soldado russo na ilha de Kotelny no Ártico russo
    © Foto / Ministério da Defesa da Rússia
    Vale dizer que em 2013 o presidente russo Vladimir Putin assinou a Estratégia da Rússia no Ártico até 2020, documento que determina as principais medidas de desenvolvimento desta região russa e de garantia da segurança dos extremos setentrionais russos. Em particular, o documento prevê o desenvolvimento da ciência e tecnologia, incluindo as telecomunicações na zona ártica russa. Segundo o documento, a Rússia assegura que o Ártico se mantém como zona de paz e, ao mesmo tempo, protege a sua fronteira nacional.

    “Passam muito tempo observando-as [as atividades russas no Ártico]. Praticamente todas as semanas recebo dados de inteligência nas reuniões no Departamento de Estado, visito três outros departamentos para ficar seguro de que estamos vendo a situação de modo adequado”, sublinhou Papp.

    Segundo a revista norte-americana Sea Power, a Rússia possui 40 quebra-gelos no Ártico comparando com os 2 dos EUA, o que significa que os EUA não asseguram a sua presença na região.

    Os representantes da Marinha norte-americana afirmaram na reunião do Comité Internacional que os EUA não têm infraestruturas especiais e equipamento, bem como pessoal treinado para realizar atividades nesta zona, especialmente tendo em conta que o Ártico está degelando e os caminhos marítimos estão acessíveis por mais tempo que antes.

    “Este país [a Rússia] está preocupada com a segurança do caminho marítimo que está desenvolvendo, está reinstalando aeródromos e bases ao longo do litoral, que se estende por quase metade do Ártico”, disse o representante especial pelo Ártico norte-americano.

    Há que lembrar que, no fim de outubro, o vice-ministro da Defesa russo disse que os trabalhos para instalar unidades militares no Ártico continuarão em 2016-2020. Por sua vez, o ministro da Defesa russo Sergei Shoigu afirmou que a criação da base militar na ilha ártica de Kotelny já está na fase final. O especialista russo Konstantin Zaitsev, vice-presidente da Associação dos Exploradores das Regiões Polares, afirma que a Rússia não está reforçando a sua presença militar no Ártico mas somente restabelecendo o que havia alguns anos atrás. “Estamos nos protegendo e não atacando ninguém. Não criamos postos de ataque mas sim uma barreira de segurança do nosso país”.

    Tags:
    base, presença militar, Departamento de Estado dos EUA, Ártico, Rússia, EUA
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