10:50 24 Agosto 2019
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    Água do Rio Doce fica mais escura e indica que lama está perto do ES
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    Ambientalista diz que tragédia de Mariana deve servir de lição para todas as mineradoras

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    Geórgia Cristhine, Arnaldo Risemberg
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    O rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, quinta-feira, 5, no Distrito de Bento Rodrigues, Município de Mariana, levou o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, a considerar seus efeitos como “a maior tragédia ambiental do Estado”. Agora, a tragédia se amplia, chegando ao Espírito Santo.

    Para a Defesa Civil de Minas Gerais, não há mais condições para que a população de Bento Rodrigues (cerca de 530 habitantes antes da tragédia) volte às suas casas, ainda que a área possa ser recuperada depois de removida a lama que cobriu a localidade.

    Além disso, a lama que invadiu o rio Doce espalhou-se pela região do vale, e até a sexta-feira, 13, segundo as previsões de especialistas, deverá contaminar rios e áreas do Espírito Santo.

    Sobre esta catástrofe natural, Sputnik Brasil ouviu o Professor David Zee, especialista em Oceanografia e Engenharia Ambiental da UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Para o Zee, há fundadas razões para preocupações com as questões ambientais e de segurança da população, e ainda com mais um fator de risco: as tartarugas protegidas pelo Projeto Tamar e que se encontram numa área de preservação no Espírito Santo também podem ser contaminadas pelos rejeitos procedentes de Minas Gerais.

    Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais.
    Agência Brasil / Corpo de Bombeiros de Minas Gerais
    Para David Zee, o rompimento das duas barragens deixa a lição de que as empresas mineradoras, daqui para frente, também terão de investir em projetos de segurança com o objetivo de evitar novas tragédias como a de Mariana.

    O Professor Zee ressalta que o principal problema da lama que avança pelo vale do rio Doce é que ela causa uma espécie de poluição física, ou seja, maior quantidade de sedimentos em suspensão na coluna de água. “O que era uma água verde, relativamente transparente, agora se transforma numa água barrenta, marrom, de pouca transparência.”

    Sobre possíveis toxinas existentes na lama das barragens, o engenheiro ambiental da UERJ acredita que, pelo fato de os rejeitos estarem acumulados há muito tempo nas barragens, grande parte do efeito químico nocivo tenha se reduzido.

    “Entretanto, a grande quantidade de sedimentos lançados vai provocar o assoreamento dos rios e a devastação da cobertura da faixa marginal de proteção, e isso vai ser um problema muito sério, porque causa efetivamente uma transformação da morfologia e das condições de habitat de muitos organismos aquáticos, como tartarugas, peixes e mesmo as plantas da faixa marginal.”

    Assim como a Coordenação da Defesa Civil de Minas Gerais, David Zee também não vê mais chances de habitabilidade no Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, e pensa que as autoridades estaduais devem declarar a sua extinção, mesmo que haja algum tipo de recuperação da região.

    “Ainda é muito cedo para falar, mas é mais econômico remover e deslocar a população local para outra área, salva desse lodo, do que fazer a limpeza de Bento Rodrigues.”

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    Tags:
    meio ambiente, desastre ambiental, lição, barragem, tragédia, lama, Bento Rodrigues, Rio Doce, Minas Gerais, Mariana
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