16:35 21 Setembro 2017
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    Militante do grupo terrorista Estado Islâmico

    FSB alerta: Ásia Central, Irã e China estão na mira do Estado Islâmico

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    Os planos do grupo terrorista Estado Islâmico de estabelecer uma província no norte do Afeganistão representam uma ameaça para os Estados da Ásia Central, Irã e China, segundo afirmou nesta terça-feira (10) Yevgeny Sysoyev, vice-diretor do Serviço de Segurança Federal da Rússia (FSB) e chefe da administração do Comitê Nacional Antiterrorista.

    "O Estado Islâmico está intensificando suas posições no Afeganistão. Seus líderes, em janeiro de 2015, declararam a criação do Emirado Islâmico do Khorasan”, disse ele, participando da 7ª conferência regional da Associação Internacional de Procuradores para os Estados da Europa Central e Oriental e os Estados da Ásia Central.

    Khorasan é uma área que abrange as repúblicas centro-asiáticas, Afeganistão, Paquistão, Caxemira e Irã, e cuja fundação, segundo profecias atribuídas ao profeta Maomé, prenunciaria a vitória do Islã na “batalha final” entre o bem e o mal, no fim dos tempos. 

    "Sob estes planos, o Afeganistão se tornará um ponto de partida para a criação de uma nova província de um quase-Estado islâmico que deverá incluir, juntamente com o Afeganistão, os territórios do Uzbequistão, do Turcomenistão, do Tadjiquistão, do Irã e das províncias do noroeste da China", advertiu o vice-diretor do FSB.

    Além disso, segundo ele, a ameaça é reforçada pelo fato de outros grupos terroristas atuantes no Afeganistão, como o Partido Islâmico do Turcomenistão, terem jurado fidelidade ao Estado Islâmico, o que cria condições para o recrutamento de mais jihadistas entre os cidadãos dos países da Ásia Central.

    De acordo com o Comitê Nacional Antiterrorista da Rússia, o Talibã está reforçando sua presença no Afeganistão, especialmente em áreas estrategicamente importantes no sul, sudeste, norte e centro do país. Dados do FSB sugerem que o grupo tenha entre 45 mil e 50 mil militantes bem treinados e bem equipados.

    Segundo Sysoyev, a situação mais crítica se desenrola atualmente nas províncias do norte do Afeganistão que fazem fronteira com o Tadjiquistão e o Turcomenistão, e especialmente na fronteira afegã-turcomana.

    O Estado Islâmico é uma organização terrorista sunita que opera principalmente no Iraque e na Síria. Em junho de 2014, o grupo anunciou o estabelecimento de um "califado islâmico", governado sob a estrita lei da Sharia, nos territórios sob seu controle.

    A previsão apocalíptica sobre uma “batalha final” entre as forças do bem e do mal é frequentemente evocada pelo líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi. Em seus discursos, ele tenta convencer jovens islâmicos de que o fim do mundo já começou e de que é preciso se dispor a morrer na guerra santa em nome de Alá. 

    Segundo especialistas, as profecias apocalípticas não vêm do Alcorão, mas da literatura religiosa conhecida como Hadith, uma compilação de ensinamentos atribuídos ao profeta Maomé por seus seguidores, escrita mais de cem anos após sua morte.

    Neste contexto, o estabelecimento de um califado é apenas um dos vários sinais indicadores do início do fim do mundo. A volta da decapitação como forma de punição dos inimigos, outra tática amplamente usada pelo Estado Islâmico em sua estratégia de “marketing”, também seria um desses indícios. A ideia básica repousa na crença de que a retomada das práticas do Islã primitivo fortaleceria a religião e prenunciaria a vitória de Alá e seus fiéis. 

    Além disso, o Hadith também preconiza que o Apocalipse será anunciado pela guerra em Damasco, capital da Síria, iniciada por uma espécie de “anticristo”, chamado de ad-Dajjal, que dividirá os muçulmanos até ser derrotado por uma figura messiânica chamada de “Madhi”.

    Na Síria atual, o Estado Islâmico constitui um dos grupos da oposição armada que lutam contra as tropas do governo sírio liderado por Bashar Assad. Há mais de um ano, uma coalizão internacional liderada pelos EUA vem promovendo uma campanha aérea para bombardear as posições dos jihadistas no país, mas sem a permissão do governo local, ao largo das normas do direito internacional. 

    Como o Ocidente, em geral, se opõe à permanência do presidente sírio no poder e se recusa a negociar com Damasco, os ataques aéreos da coalizão têm tido resultados muito aquém do necessário para erradicar a ameaça terrorista. 

    Além disso, cabe notar, a estratégia norte-americana de treinar rebeldes sírios supostamente “moderados” para a luta em solo contra o Estado Islâmico provou ser um erro colossal de análise geopolítica, na medida em que a vasta maioria dos rebeldes armados, uma vez treinados, passava invariavelmente à busca de seus próprios interesses, a despeito de quaisquer pretensões de comando dos EUA.

    A Rússia, por outro lado, iniciou sua própria campanha de ataques aéreos contra as posições do Estado Islâmico na Síria em 30 de setembro deste ano, a pedido de Assad. Um centro para a troca de informações sobre os terroristas foi criado em Bagdá por meio da cooperação entre Rússia, Irã, Iraque e Síria, e desde o início da operação, a Força Aérea russa já eliminou centenas de alvos do grupo extremista.              

    De acordo com a Agência Central de Inteligência norte-americana (CIA), as fileiras do Estado Islâmico têm cerca de 30 mil militantes. As autoridades iraquianas, por sua vez, dizem que o número chega a até 200 mil homens armados. Entre os membros do grupo, contam-se cidadãos de 80 países, incluindo França, Grã-Bretanha, Alemanha, Marrocos, Arábia Saudita, EUA, Canadá, Rússia e outros países da Comunidade de Estados Independentes (CEI).

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    jihad, guerra santa, extremismo, islã, terrorismo, decapitação, emirado, califado, profecia, fim dos tempos, fim do mundo, apocalipse, batalha final, Comitê Nacional Antiterrorista, Talibã, Estado Islâmico, Bashar Assad, Maomé, Yevgeny Sysoyev, Damasco, Paquistão, Ásia Central, China, Khorasan, Afeganistão, Irã, EUA, Iraque, Síria, Rússia
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