03:57 24 Agosto 2017
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    Bandeiras da Espanha e Catalunha durante a sessão da Generalitat em 9 de novembro

    Divórcio confirmado: Catalunha começa 'desconexão' da Espanha

    © AFP 2017/ LLUIS GENE
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    Prometeu, cumpriu. A Generalitat - governo regional da Catalunha - aprovou, nesta segunda-feira (9), uma resolução que anuncia o início do processo de obtenção da independência. Desta forma, a coalizão no poder desta comunidade autônoma da Espanha segue na mesma trilha, apesar dos protestos do governo central de Madri.

    Foram 72 votos a favor e 63 contra.

    A decisão sobre o processo independentista fora anunciada ainda em setembro, quando as autoridades catalãs assinalaram o início da campanha eleitoral com a tese de que as eleições de 27 de setembro seriam "plebiscitárias".

    Assim, Raul Romeva, que encabeça a "lista unitária" Junts pel Sí (Juntos pelo Sim, coalizão formada dois meses antes das eleições), disse tratar-se de uma "tradução em formato parlamentar do compromisso" ganho em 27 de setembro.

    O jornal Ara, na mesma matéria que cita estas palavras do porta-voz da coalizão, começa assim: "Aprovada a declaração de ruptura".

    Aliás, Romeva qualificou a resolução, na sessão de hoje, como o início do processo da "desconexão" da Espanha.

    O governo da Espanha já reagiu a esta "declaração de ruptura" com a afirmação de que esta não tem força jurídica.

    Várias fontes, tanto no governo espanhol como observadores políticos, têm afirmado que, caso a Catalunha realmente se separar da Espanha, irá automaticamente deixar de ser membro da União Europeia — já que seria um país novo, não inscrito na matriz da UE.

    O chefe do governo da Catalunha, Artur Mas, durante a sessão de 9 de novembro
    © AFP 2017/ LLUIS GENE
    O chefe do governo da Catalunha, Artur Mas, durante a sessão de 9 de novembro

    Vitória

    Para os membros da "lista unitária", que tem a presença do ex-сhefe do governo regional, Artur Mas, e o antigo líder da oposição, Oriol Junqueras, trata-se de uma importante vitória formal depois do fracasso do referendo de 9 de novembro do ano passado. Naquela altura, o referendo fora reconhecido como inconstitucional pelo governo espanhol do conservador Mariano Rajoy. O plebiscito teve de ser realizado informalmente, como um "processo participativo".

    Mesmo assim, cerca de 80% dos participantes votaram a favor da independência.

    Ganhas as eleições, o então presidente do governo regional, Artur Mas, foi convocado a um tribunal onde foi acusado de desobediência civil.

    Umas semanas depois, em outubro, o porta-voz da coalizão informou que os seus membros estavam considerando a possibilidade de nomear Artur Mas de novo como presidente.

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    Tags:
    independência, Generalitat, Mariano Rajoy, Oriol Junqueras, Artur Mas, Espanha, Catalunha
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