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    Rússia combate Estado Islâmico na Síria (291)
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    Altos funcionários dos EUA e da Europa muitas vezes acusam a Rússia de atacar a oposição moderada da Síria em sua operação contra o grupo terrorista Estado Islâmico, mas ninguém explicou claramente até agora o que é o chamado Exército Livre da Síria (ELS), onde ele está ou o que deseja.

    O ELS é extremamente esquivo não só para especialistas e estrangeiros, mas também para seus próprios membros. E aqui está o porquê.

    A Rússia está comprometida com o objetivo de evitar que extremistas islâmicos dominem a Síria e, em seguida, espalhem seus tentáculos para além do Oriente Médio. Para tanto, Moscou está tentando recrutar o maior número possível de aliados em seus esforços multinacionais, incluindo partes interessadas em âmbito regional e global, bem como grupos estatais e não-estatais.

    A Rússia já coordena a sua campanha multinacional antiterrorismo com a Síria, com o Iraque e com o Irã por meio de um centro de intercâmbio de inteligência sediado em Bagdá. Em breve, o país lançará um mecanismo semelhante com a Jordânia, em Amã. Qualquer um disposto a ajudar a varrer os terroristas da Síria é bem-vindo, repetem as autoridades russas.

    No domingo (25), o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, reafirmou que Moscou estava pronta para fornecer apoio aéreo a quaisquer grupos da “oposição patriótica, incluindo o ELS”. O único obstáculo no caminho, segundo o chanceler, era o desconhecimento sobre a localização precisa dos rebeldes filiados ao grupo. Moscou não dispõe dessa informação, embora a tenha pedido repetidamente a países familiarizados com o ELS, incluindo os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

    O apelo de Moscou parecia ter funcionado no domingo, quando Fahad Masri, um cofundador do ELS, disse à Sputnik que o grupo estava pronto para um diálogo com a Rússia.

    "Precisamos marcar uma nova reunião para compartilhar a nossa visão da situação e discutir ações conjuntas… Nós podemos fazer uma decisão conjunta sobre o tipo de assistência que a Rússia poderia fornecer ao Exército Livre da Síria durante as conversações", afirmou o rebelde.

    Poderia ter sido um marco na campanha antiterrorista, mas, no mesmo dia, Fares Bayoush, que lidera o grupo filiado ao ELS Fursan al-Haq, se recusou a aceitar a ajuda de Moscou. Em suas palavras, a Rússia "em primeiro lugar deve parar de bombardear o quartel-general do Exército Livre antes de oferecer apoio aéreo que nós não pedimos".

    Outros líderes rebeldes de grupos filiados ao ELS fizeram comentários semelhantes em resposta à proposta da Rússia. Todos refletem o que muitos na Síria e alguns fora dela sabem: o ELS não passa de uma pequena e descentralizada organização guarda-chuva sem uma liderança unificada e sem nenhuma presença real no terreno de batalha.

    Uma observação: as forças russas escolhem seus alvos na Síria com base em seus próprios serviços de inteligência, bem como em dados fornecidos por Damasco, Teerã e Bagdá.

    "Estou certo de que não há nenhum Exército Livre da Síria porque eles se recusaram a cooperar com e receber ajuda da Rússia enquanto estão lutando contra o Estado Islâmico e outros. E ao mesmo tempo eles estão prontos para manter conversações com a Rússia. Qual é o significado disso? Eles só querem um papel político ou uma resolução política na Síria porque sabem que não têm nenhuma existência real no campo. Eles não têm forças reais, não existe nenhum Exército Livre da Síria", afirmou o vice-diretor do Centro de Damasco para Estudos Internacionais e Estratégicos, Dr. Taleb Ibrahim, em entrevista à Rádio Sputnik.

    O vice-chanceler russo Mikhail Bogdanov ecoou a mesma intuição, dizendo que, no momento, o ELS essencialmente se "misturou com" a multidão terrorista. 

    "Alguns estavam com medo, alguns se juntaram ao Estado Islâmico ou à Frente al-Nusra por dinheiro. Todos os sírios com quem falamos ao tentar entrar em contato com o ELS dizem que eles não tem uma única liderança", disse o vice-ministro à Sputnik.

    E, para completar, o embaixador sírio em Moscou, Riad Haddad, também confirmou que "o chamado Exército Livre da Síria certa vez existiu, mas seus membros mais tarde se juntaram a outros grupos terroristas".

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    © Sputnik / Vitaly Podvitsky
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    Tags:
    Rússia, Jordânia, EUA, Moscou, Síria, Iraque, Irã, Oriente Médio, Sergei Lavrov, Mikhail Bogdanov, Riad Haddad, Fahad Masri, Taleb Ibrahim, Estado Islâmico, Frente al-Nusra, Exército Livre da Síria, Fursan al-Haq, terrorismo, guerra, bombardeio, cooperação, inteligência, organização, ataques aéreos, rebeldes sírios, conflito sírio, grupos moderados, oposição patriótica
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