02:10 18 Agosto 2017
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    Manifestação contra a OTAN em Lisboa

    Organizações nacionais de Portugal protestam contra exercícios da OTAN

    © Foto: Ana Pires/CGTP
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    Cristina Mestre
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    Está decorrendo neste momento no centro de Lisboa uma manifestação contra a OTAN e, em particular, contra os grandes exercícios da Aliança na Europa.

    A questão da Aliança Atlântica tinha estado até há pouco relativamente à margem da vida política portuguesa. Mas agora algo mudou: o país está dividido após as recentes eleições, com a formação de duas “frentes”, uma de esquerda, outra de direita. A OTAN e a possível saída de Portugal deste bloco militar é um dos temas pelo qual o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda sempre se têm batido.  

    A manifestação é uma iniciativa de várias organizações nacionais: a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — Intersindical Nacional (CGTP-IN), o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), o Movimento Democrático de Mulheres (MDM), a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), a Associação de Amizade Portugal-Cuba (AMPC), entre outras.

    O lema da manifestação é “Sim à Paz! Não aos Exercícios Militares da OTAN!”

    Ana Pires, dirigente da CGTP, falou em exclusivo à Sputnik sobre os objetivos deste protesto.

    “Esta manifestação, embora não sendo de âmbito nacional, não é isolada. Nos últimos meses já tivemos várias tribunas públicas e colóquios em Lisboa, Porto e Setúbal para denunciar e sensibilizar a população sobre esta temática. O movimento sindical está bastante atento a este tema. Temos que dar o alerta porque, quando há guerra, são os povos e os trabalhadores que mais sofrem. Para além disso, a Constituição portuguesa prevê a dissolução da OTAN. Manifestamos o nosso repúdio pela realização dos Exercícios militares da OTAN, a decorrer em Portugal, Espanha e Itália até 6 de novembro”.

    O Partido Comunista Português, que poderá vir a participar ou apoiar um futuro governo de coalizão no país, condenou este sábado (24) os exercícios militares da OTAN “Trident Juncture” e a participação de Portugal nestas manobras.

    “Face à realização dos exercícios militares da OTAN em Portugal, Espanha e Itália, o PCP alerta para o significado e momento da realização daquele que é um dos maiores exercícios da história deste bloco político-militar, indissociável da sua estratégia de crescente militarização das relações internacionais, de expansão no Leste da Europa e de projecção de um ainda maior intervencionismo no Mediterrâneo, Norte de África e Médio Oriente. O PCP condena e reitera a sua posição contrária à participação de Portugal nestes exercícios da OTAN”, refere um comunicado partido.

    O Conselho para a Paz, em recente informação publicada em seu site, insurge-se ainda contra os gastos militares, fazendo uma comparação interessante: Equipar um único soldado dos EUA custa mais do que educar dois portugueses durante um ano; só o porta-aviões Gerald R. Ford pagava todas as despesas de saúde da população em Portugal durante um ano e meio.  

    A manifestação de hoje não representa nem testemunha com certeza a opinião dos portugueses em geral. Mas mostra que a instável situação militar que existe em muitas partes do mundo e o aumento da presença da OTAN na Europa, como mostram os exercícios em grande escala que estão decorrendo no sul do continente europeu, podem levar alguns povos europeus a questionar-se que esta Aliança é um garante da paz ou é um fator de guerra.    

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    Tags:
    exercício militar, manifestação, OTAN, Portugal
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