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    Rússia combate Estado Islâmico na Síria (291)
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    A luta contra o Estado Islâmico (EI) na Síria é complicada pelo fato de que não há poder central no país, segundo afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em pronunciamento nesta sexta-feira (23).

    "Infelizmente, não há uma força central [na Síria] com a qual se poderia cooperar. (…) Todas as dificuldades derivam deste fato", disse ele.

    O porta-voz observou que, inclusive, Moscou tem o consentimento do presidente sírio, Bashar Assad, para apoiar grupos da oposição síria que também combatam os terroristas do EI.

    A guerra civil vem fracionando a Síria desde 2011, com as tropas do governo lutando contra diversos grupos da oposição armada, incluindo as organizações militantes de radicais islâmicos como o EI. 

    Desde o último dia 30 de setembro, a Rússia tem conduzido ataques aéreos de precisão contra posições do EI no país árabe. A operação é fruto de um pedido direto de Assad, que continua sendo a única autoridade legítima da Síria, ainda que largamente hostilizado pelos países ocidentais, sobretudo pelos EUA.  

    Segundo os resultados das eleições gerais para presidente realizadas na Síria em 2014, a legitimidade de Assad foi respaldada com 88,7% dos votos, apesar das críticas feitas por observadores internacionais do Ocidente e do fato de que quase um terço do país estivesse sob o controle de grupos opositores, para não mencionar as dificuldades óbvias de se realizar um pleito em meio à brutal guerra que forçou quase metade da população a abandonar suas casas. 

    De acordo com Peskov, porém, a Rússia está disposta a cooperar com todos os grupos não-terroristas na Síria para avançar a luta contra os jihadistas do EI, resolver o conflito sírio e pôr fim à violência no país.

    Além disso, o porta-voz do Kremlin afirmou que a Rússia também pretende discutir a luta contra o terrorismo com os Estados Unidos e com países do Oriente Médio, incluindo as autoridades sírias.

    "Isso exigirá, naturalmente, a troca de opiniões com as autoridades sírias legítimas – o Presidente Assad e seus representantes (…). O lado russo consistentemente convida ao diálogo e convida à cooperação os Estados regionais [do Oriente Médio], os Estados Unidos e os outros Estados que participam desta operação antiterrorista", sublinhou Peskov.

    Desde o início da campanha aérea russa, cerca de 930 ataques foram realizados na Síria, matando centenas de militantes e destruindo dezenas de centros de comando e depósitos usados pelos terroristas.

    No início de outubro, o embaixador sírio na Rússia, Riad Haddad, confirmou que os ataques aéreos russos estavam sendo realizados contra organizações terroristas armadas e não contra civis ou facções da oposição política na Síria, contrariando alegações nesse sentido veiculadas por parte da mídia ocidental.

    A coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, por sua vez, bombardeia as posições do EI na Síria desde 2014, mas sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU ou de Damasco. 

    Vladimir Putin
    © East News / AP Photo/Pavel Golovkin
    A estratégia de Washington contra o grupo terrorista, claramente fracassada até o momento, tem sido pautada pela recusa a cooperar com Assad, chegando o país a impor exigências unilaterais para o início de um diálogo e a financiar e treinar grupos da oposição armada supostamente “moderada” na Síria, sempre com a esperança de destituir do cargo o atual presidente.

    O objetivo, para os EUA, parece às vezes superar em importância o de acabar com o extremismo do Estado Islâmico – este sim, impossível de se resolver com o diálogo.

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    bombardeios, terroristas, extremistas, grupo jihadista, grupos moderados, conflito sírio, diálogo, ataques aéreos, operação, combate, guerra, poder central, oposição, Conselho de Segurança da ONU, Estado Islâmico, Bashar Assad, Dmitry Peskov, Estados Unidos, EUA, Síria, Rússia
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