15:45 10 Dezembro 2019
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    Forças policiais albanesas guargam espaço em frente do estádio de Elbasan, Albânia, 8 de outubro de 2015

    Futebol político: Sérvia e Albânia se encontram em campo

    © AFP 2019 / GENT SHKULLAKU
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    O primeiro-ministro sérvio Aleksandar Vucic decidiu não assistir ao jogo de futebol entre a Albânia e a Sérvia por causa da “politização deste evento esportivo”.

    “Depois de algumas conversas telefónicas com o premiê albanês Edi Rama, decidi não ir. Quero que os principais heróis deste evento sejam os esportistas”, diz-se na declaração escrita do primeiro-ministro sérvio, publicada no jornal Blic.

    Pelos vistos, desta vez não será possível uma diplomacia semelhante à de Serj Sargsyan e Abdullah Gul 2009. Nesse ano, os presidentes da Armênia e da Turquia assistiram ao encontro de apuramento para o Campeonato do Mundo, que foi chamado de “jogo de reconciliação”.

    Na declaração de Vucic se diz que, depois de décadas de silêncio e “hostilidade congelada”, a Sérvia e a Albânia trabalham já por alguns anos para estabelecer o entendimento mútuo e contatos permanentes, realizam negociações sobre grandes projetos de transporte.

    Mas o futebol é um indicador dos ânimos reinantes. Desta vez, albaneses lançaram pedras contra o ônibus que transportava os jogadores do time sérvio no seu caminho do aeroporto ao hotel em Tirana. Não causou feridos mas causou danos nas relações bilaterais. Belgrado quis entregar ao embaixador albanês em Belgrado uma nota de protesto porque não foram tomadas medidas de segurança necessárias mas este se recusou de aceitá-la declarando que “nada aconteceu”.

    Na quinta-feira (8), o próprio primeiro-ministro albanês Edi Rama apresentou desculpas. 

    Em termos puramente esportivos, o jogo de hoje não tem muita importância para os sérvios, que deixaram escapar todas os chances de chegar à final do Campeonato Europeu de Futebol de 2016. Mas tem importância política porque é considerado como uma possível “resposta sérvia”.

    No outono do ano passado, durante o jogo entre as seleções dos dois países, “o jogador mais valioso” foi um drone transportando uma bandeira com uma imagem da Grande Albânia, um projeto mítico de união dos territórios albaneses incluindo a Sérvia, Macedônia, Montenegro e Grécia. O jogo foi suspenso devido aos confrontos e, depois de uma investigação ambos os times foram multados, mas foram retirados pontos somente à Sérvia. 

    Um mês depois, durante uma conferência de imprensa em Belgrado, Edi Rama aconselhou a Sérvia a reconhecer a independência do Kosovo, o que, para Belgrado, é uma derrota política. Esperando que Vucic aparecesse no jogo, Edi Rama apelou a Hasim Taci, primeiro-ministro do autoproclamado Kosovo, a não ir ao jogo, percebendo que Vucic não ficaria satisfeito com isso. Há muito tempo que Aleksandar Vucic obteve a reputação do político que não cede a provocações. A sua declaração diz que está à espera dos jogadores, independentemente do resultado do encontro.

    Tags:
    relações bilaterais, futebol, jogo, Euro 2016, Aleksandar Vucic, Albânia, Sérvia
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