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    Afeganistão entre OTAN e Talibã (109)
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    O ex-embaixador paquistanês na ONU e presidente do Instituto de Estudos Regional em Islamabad, Arif Ayub, disse à Sputnik, nesta quarta-feira (7), que os autores do ataque aéreo ao hospital do Médico Sem Fronteiras, em Kunduz, não enfrentarão a justiça, uma vez que os EUA se consideram acima da lei internacional.

    “Não há nenhuma chance de que uma investigação sobre os ataques aéreos contra o hospital sejam realizadas pela Comissão Internacional de Pesquisa Humanitária”, afirmou Arif Ayub.

    O ex-diplomata não acredita que a tragédia possa ser resolvida nos termos do direito internacional. Ele entende que os EUA bloquearão qualquer tentativa da Comissão para realizar uma investigação.

    Nesta quarta-feira, o Médicos Sem Fronteiras pediu uma investigação da Comissão Internacional de Pesquisa Humanitária para a catástrofe em Kunduz e chamou o atentado de um ataque intolerável sobre as Convenções de Genebra.

    “Vai ser esquecido, até que haja outro”, disse Ayub, que também é presidente do Instituto de Estudos Regionais em Islamabad e serviu como embaixador de seu país para a Itália, Afeganistão, Egito e Holanda.

    Segundo Ayub, “isso é o que tem acontecido desde a Guerra do Vietnã, ou ainda pior desde a Guerra da Coréia”. O ex-diplomata afirmou que essas atrocidades continuam acontecendo “e ninguém faz nada”.

    “Isso aconteceu com a gente em Salala um par de anos atrás, quando eles bombardearam um dos nossos postos militares por quase duas ou três horas. Fizemos chamadas a cada cinco minutos e dizendo-lhes, você está batendo no alvo errado. E eles não se importaram. Essa é a atitude deles. A sua arrogância imperial, que não se importa de matar qualquer não-americano”, lembrou o ex-embaixador paquistanês.

    Sobre a resolução do conflito no Afeganistão, Ayub recomenda aos EUA deixar o território afegão, descrevendo que o “ciclo vicioso” de bombardeios e os ataques de vingança afegãos continuarão durante o tempo em que as tropas norte-americanas permanecerem lá. 

    O compromisso dos EUA para a democracia, que sucessivos os governos norte-americanos alegam como motivação para a mudança de regime no Oriente Médio e na Ásia, leva a uma fraqueza fundamental na sua política externa, disse Ayub, uma vez que os objetivos são decididos no curto prazo, segundo as campanhas eleitorais.

    “Não é uma questão de quatro em quatro anos. Todos os anos, quando o orçamento é aprovado pelo Senado e pelo Congresso, cria-se confusão sobre algo, especialmente quando há diferentes partidos no controle do Congresso, do Senado e da Presidência. É por isso há falhas coloniais desde 1945”, explica Ayub.

    Para o ex-embaixador, esta é uma visão extremamente de curto prazo. “No caso do Paquistão, está determinada em uma base mensal. Um mês eles são nossos melhores amigos e melhores aliados, e no mês seguinte cortam toda a assistência. É mais como uma bolsa de valores de um governo.”

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    Afeganistão entre OTAN e Talibã (109)
    Tags:
    punição, justiça, bloqueio, direito internacional, atentado, investigação, hospital, ataque, bombardeio, Convenções de Genebra, Guerra do Vietnã, Guera da Coreia, Comissão Internacional de Pesquisa Humanitária, Instituto de Estudos Regionais, Médicos Sem fronteiras, Nações Unidas, ONU, Arif Ayub, Genebra, Salala, Islamabad, Holanda, Egito, Itália, Vietnã, Afeganistão, Kunduz, Paquistão, EUA
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