Ex-embaixador do Paquistão na ONU: Autores de ataque a hospital afegão não serão punidos

© AP Photo / Médecins Sans FrontièresHospital do Médicos Sem Fronteiras bombardeado no norte do Afeganistão no dia de 3 de outubro, em Kunduz
Hospital do Médicos Sem Fronteiras bombardeado no norte do Afeganistão no dia de 3 de outubro, em Kunduz - Sputnik Brasil
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O ex-embaixador paquistanês na ONU e presidente do Instituto de Estudos Regional em Islamabad, Arif Ayub, disse à Sputnik, nesta quarta-feira (7), que os autores do ataque aéreo ao hospital do Médico Sem Fronteiras, em Kunduz, não enfrentarão a justiça, uma vez que os EUA se consideram acima da lei internacional.

“Não há nenhuma chance de que uma investigação sobre os ataques aéreos contra o hospital sejam realizadas pela Comissão Internacional de Pesquisa Humanitária”, afirmou Arif Ayub.

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O ex-diplomata não acredita que a tragédia possa ser resolvida nos termos do direito internacional. Ele entende que os EUA bloquearão qualquer tentativa da Comissão para realizar uma investigação.

Nesta quarta-feira, o Médicos Sem Fronteiras pediu uma investigação da Comissão Internacional de Pesquisa Humanitária para a catástrofe em Kunduz e chamou o atentado de um ataque intolerável sobre as Convenções de Genebra.

“Vai ser esquecido, até que haja outro”, disse Ayub, que também é presidente do Instituto de Estudos Regionais em Islamabad e serviu como embaixador de seu país para a Itália, Afeganistão, Egito e Holanda.

Segundo Ayub, “isso é o que tem acontecido desde a Guerra do Vietnã, ou ainda pior desde a Guerra da Coréia”. O ex-diplomata afirmou que essas atrocidades continuam acontecendo “e ninguém faz nada”.

“Isso aconteceu com a gente em Salala um par de anos atrás, quando eles bombardearam um dos nossos postos militares por quase duas ou três horas. Fizemos chamadas a cada cinco minutos e dizendo-lhes, você está batendo no alvo errado. E eles não se importaram. Essa é a atitude deles. A sua arrogância imperial, que não se importa de matar qualquer não-americano”, lembrou o ex-embaixador paquistanês.

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Sobre a resolução do conflito no Afeganistão, Ayub recomenda aos EUA deixar o território afegão, descrevendo que o “ciclo vicioso” de bombardeios e os ataques de vingança afegãos continuarão durante o tempo em que as tropas norte-americanas permanecerem lá. 

O compromisso dos EUA para a democracia, que sucessivos os governos norte-americanos alegam como motivação para a mudança de regime no Oriente Médio e na Ásia, leva a uma fraqueza fundamental na sua política externa, disse Ayub, uma vez que os objetivos são decididos no curto prazo, segundo as campanhas eleitorais.

“Não é uma questão de quatro em quatro anos. Todos os anos, quando o orçamento é aprovado pelo Senado e pelo Congresso, cria-se confusão sobre algo, especialmente quando há diferentes partidos no controle do Congresso, do Senado e da Presidência. É por isso há falhas coloniais desde 1945”, explica Ayub.

Para o ex-embaixador, esta é uma visão extremamente de curto prazo. “No caso do Paquistão, está determinada em uma base mensal. Um mês eles são nossos melhores amigos e melhores aliados, e no mês seguinte cortam toda a assistência. É mais como uma bolsa de valores de um governo.”

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