07:18 20 Outubro 2018
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    Presidente ucraniano Pyotr Poroshenko, Ucrânia, Kiev

    Poroshenko: EUA decidem enviar novas armas para a Ucrânia

    © AFP 2018 / SERGEI SUPINSKY
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    Os Estados Unidos decidiram entregar novos modelos de armas defensivas para Kiev, segundo disse o presidente ucraniano, Pyotr Poroshenko, em entrevista a canais de TV ucranianos neste domingo (3).

    "Ele [o presidente dos EUA, Barack Obama] me disse que assinou uma ordem executiva sobre a entrega de novas armas para a Ucrânia, que nós precisamos desesperadamente, uma vez que se trata de armamento defensivo, complexos de radares de longo alcance contra baterias que nos permitirão aumentar a capacidades de defesa do exército ucraniano", disse Poroshenko.

    O chefe de Estado também comentou as conversações do Quarteto da Normandia (Rússia, Ucrânia, França e Alemanha) em Paris na última sexta-feira (2).

    "O principal resultado é que saímos de um regime de cessar-fogo, após a retirada das tropas, o reforço do papel da OSCE, (…) para um regime de armistício [em Donbass]", afirmou.

    "Caso as eleições [no Leste da Ucrânia] forem conduzidas adequadamente, caso elas sejam bem organizadas de acordo com os critérios do [Gabinete para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos da OSCE], caso estejam presentes a imprensa ucraniana, partidos ucranianos, caso as eleições sejam reconhecidas por observadores internacionais, então eles vão eleger aqueles com quem nós iríamos restaurar o país ", acrescentou Poroshenko.

    Os ucranianos irão às urnas para votar em eleições locais no próximo dia 25 de outubro. As regiões separatistas de Donetsk e Lugansk, por sua vez, planejam realizar eleições locais em 18 de outubro e 1° de novembro, respectivamente.

    As autoproclamadas repúblicas populares têm afirmado repetidamente que a decisão de realizar eleições independentemente de Kiev foi feita depois que o governo ucraniano passou a adotar uma lei sobre eleições locais sem consultar as autoridades de Donetsk e Lugansk, o que contradiz os acordos de paz de Minsk.

    Desde abril 2014 as Forças Armadas ucranianas têm travado uma guerra contra os apoiantes da independência em Donbass que rejeitaram a legitimidade do regime de Poroshenko, na medida em que foi  imposta por um golpe de Estado. 

    "Este processo [de implementação dos acordos de Minsk] não é de décadas, é um processo que deve ser concluído antes do final do ano. Se todos nós trabalharmos para assegurar que eles [os acordos] sejam implementadas, eles serão executadas antes do fim do ano ", disse o presidente da Ucrânia, acresentando que Kiev, assim como Paris e Berlim, se opõe a quaisquer mudanças nos acordos.

    Ao que tudo indica, porém, a ideia que Poroshenko faz de um processo de reconciliação pacífica não prescinde das armas. Mais especificamente, das “novas armas” norte-americanas, que ele tão “desesperadamente” precisa. 

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    Tags:
    armistício, acordo de paz, retirada, armas, eleições, paz, Acordos de Minsk, cessar-fogo, OSCE, Pyotr Poroshenko, Barack Obama, Lugansk, Donetsk, Donbass, Alemanha, EUA, França, Ucrânia, Rússia
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