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    Encontro Econômico abre ao Brasil o caminho para os mercados europeus via Alemanha

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    A cidade de Joinville, em Santa Catarina, está sediando a 33.ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, evento resultante de iniciativa entre a CNI – Confederação Nacional da Indústria – e a sua congênere alemã BDI – Bundesverband der Deutschen Industries.

    Como anfitrião do evento, que se estende até a terça-feira, 22, o Estado de Santa Catarina está representado pelo seu Governo e pela FIESC – Federação das Indústrias do Estado.

    Para o Embaixador Roberto Abdenur, que já chefiou a missão diplomática do Brasil na Alemanha e hoje é membro do Conselho Curador do Cebri – Centro Brasileiro de Relações Internacionais, o Encontro Econômico reunindo os dois países tem importância vital, por ser uma forma de estreitar o relacionamento, intensificando parcerias e promovendo a ampliação dos negócios conjuntos.

    Em entrevista exclusiva concedida à Sputnik Brasil, o Embaixador Abdenur destacou os méritos do evento, citou a importância que a Alemanha confere ao Brasil e lembrou que recentemente a Chanceler Angela Merkel realizou visita-relâmpago a Brasília para prestigiar a Presidenta Dilma Rousseff mesmo num momento delicado da política interna alemã, em que o Parlamento discutia a absorção dos refugiados sírios e de outras nacionalidades.

    Sputnik: Qual a importância deste Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que este ano chega a sua 33.ª edição?

    Roberto Abdenur: Uma iniciativa que tem 33 sessões contínuas acumuladas mostra que o dinamismo da relação entre os dois países envolvidos, Brasil e Alemanha, é muito grande e tem um sentido estratégico. Este Encontro é interessante porque, quando se analisa a pauta dos trabalhos, verifica-se que é uma pauta muito atual, muito oportuna e voltada para o futuro. São temas como digitalização da sociedade, mobilidade urbana, desafios das grandes cidades, saúde, energia, infraestrutura, questões que são muito importantes para o Brasil e também para a Alemanha. E questões nas quais a parceria entre empresas e entidades alemãs e brasileiras é muito grande e muito profícua, muito fértil.

    S: São mais de 1.600 empresas alemãs no Brasil?

    RA: É uma estimativa. Uma boa parte delas na cidade e no Estado de São Paulo mas com ramificações em outras partes do Brasil. Não é à toa que a reunião deste ano se realiza em Joinville, uma cidade cuja fundação se deve à imigração alemã e onde estão sediadas empresas alemãs e empresas brasileiras com vinculações fortes com a Alemanha.

    S: Joinville é sede da única filial do teatro Bolshoi de Moscou fora da Rússia.

    RA: É muito bom que haja uma presença da Rússia no contexto dessa relação tão forte entre Brasil e Alemanha. É preciso observar também que a Alemanha é talvez a principal parceira da Rússia no contexto da Europa Ocidental. É uma relação muito forte e muito boa entre os dois países.

    S: E a Alemanha é a maior parceira do Brasil na Europa?

    RA: É um parceiro estratégico. Nós lançamos uma parceria estratégica, formalmente declarada como tal, no ano 2000, entre o então Presidente Fernando Henrique Cardoso, no Brasil, e o então Primeiro-Ministro Schröder, na Alemanha, e agora recentemente a Chanceler Angela Merkel esteve em Brasília, acompanhada de um grande número de ministros, para a primeira reunião do chamado Encontro de Alto Nível entre Brasil e Alemanha. A Alemanha só mantém este tipo de canal de diálogo no mais alto nível com meia dúzia de países selecionados. O fato de o Brasil ser reconhecido pela Alemanha como um parceiro de importância estratégica é muito positivo, da mesma maneira como nós, brasileiros, reconhecemos o sentido altamente estratégico da Alemanha como nossa parceira.

    S: Nós falamos em mais de 1.600 empresas alemãs instaladas no Brasil, na fortíssima cooperação entre os dois países. O Brasil poderá avançar nos mercados da União Europeia através da Alemanha? Há ainda espaço para intensificar essa parceria Brasil-Alemanha?

    RA: Muitíssimo. A análise da pauta desta reunião mostra como muitos dos trabalhos estão voltados para a abordagem de problemas atuais e futuros para a evolução do Brasil e também, em alguma medida, da própria Alemanha. Uma característica destes encontros, que agora se reúnem pela 33.ª vez, é não estarem amarrados ao passado. Eles não têm uma atitude passiva de fazer um inventário do que se fez, faz-se também uma análise da situação atual, dos problemas enfrentados em diferentes assuntos, mas a abordagem é pragmática dos problemas atuais e perspectivas de problemas futuros que os dois países enfrentam. Este encontro é muito importante, e é muito expressivo da importância dele o fato de que esteja chefiando a delegação governamental brasileira o Ministro Armando Monteiro Neto, que foi presidente da CNI – Confederação Nacional da Indústria e participou ativamente de vários encontros anteriores entre Brasil e Alemanha, e agora vai a Joinville para chefiar a delegação brasileira. O trabalho do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior tem sido notável em fortalecer parcerias existentes e buscar ampliar os espaços de interlocução de negócios do Brasil com diferentes partes do mundo.

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    Tags:
    relações comerciais, relações econômicas, relações bilaterais, economia, Encontro Econômico Brasil-Alemanha, FIESC – Federação das Indústrias do Estado, Cebri, Sputnik, Roberto Abdenur, Santa Catarina, Alemanha, Brasil
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