18:25 20 Junho 2018
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    O chanceler brasileiro, Mauro Vieira (esquerda), fala com o presidente iraniano, Hassan Rohani (direita) com a ajuda de intérprete em Teerã durante visita oficial em 13 de setembro
    © AP Photo / Presidência do Irã

    Brasil reforça relações econômicas com o Irã após a suspensão das sanções

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    O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está realizando uma visita oficial ao Irã com o objetivo de aprofundar a cooperação comercial do Brasil com aquele país do Oriente Médio. No domingo, 13, o chefe da diplomacia brasileira foi recebido pelo ministro do Exterior do Irã, Javad Zarif, e pelo Presidente Hassan Rohani.

    O Presidente Hassan Rohani disse ao Ministro Mauro Vieira não existir “nenhum obstáculo que impeça a ampliação das relações entre os dois países”, e que “os investidores brasileiros podem utilizar esta oportunidade para fortalecer a sua presença no Irã, além de fomentar a parceria em projetos de grande escala”.

    Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o jornalista árabe-saudita Rasheed Aboualsamh, radicado em Brasília, declarou que “este é o momento exato para que o Brasil acentue sua presença no Irã. Com o fim das sanções impostas àquele país pelo Conselho de Segurança da ONU, o Brasil tem de aproveitar a oportunidade para se firmar como um grande parceiro comercial do país”.

    As sanções econômicas vigoraram enquanto o Governo iraniano se recusou a submeter-se à inspeção da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) às suas usinas e à utilização do seu programa nuclear. Em 14 de julho deste ano, porém, o Sexteto – grupo formado pelos cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Rússia, China, Reino Unido, França e Estados Unidos) mais a Alemanha – firmou um acordo com o Irã pelo qual a energia nuclear iraniana somente será usada para fins pacíficos, como, por exemplo, para a produção de energia elétrica e para a medicina de diagnóstico e tratamento.

    O jornalista Rasheed Aboualsamh destaca que em breve uma delegação empresarial brasileira irá ao Irã, provavelmente integrando a comitiva do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro. E, entre o final de 2015 e o início de 2016, outro ministro do Governo Dilma Rousseff irá a Teerã, o do Trabalho e Emprego, Manoel Dias. 

    A seguir, a entrevista com Rasheed Aboualsamh.

     

    Sputnik: Como é o relacionamento Brasil-Irã?

    Rasheed Aboualsamh: É uma relação predominantemente comercial. O Brasil importa coisas do Irã como petróleo e derivados e exporta muito produtos agrícolas para o Irã, e a balança comercial normalmente é a favor do Brasil.

    S: Hoje, 14 de setembro, completam-se 2 meses da ratificação do acordo nuclear promovido pelo Sexteto, e com a ratificação desse acordo estão supostamente chegando ao fim as sanções comerciais impostas ao Irã, que até então se recusava a submeter suas instalações nucleares às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica. De que forma o Brasil pode estar contribuindo para o fortalecimento da economia iraniana após o fim das sanções?

    RA: Sim, esse é o ponto crucial. Todo o mundo está esperando para ver quando essas sanções comerciais vão ser levantadas, porque o acordo nuclear estava tramitando pelo Congresso americano, para ver se passava ou não, e também no Parlamento iraniano. As duas coisas não aconteceram ainda, mas já estamos vendo muitos países mandando delegações comerciais para o Irã, como os ingleses, alemães, franceses e italianos. Então, há muito interesse de reinvestir no Irã depois de essas sanções serem levantadas. O Brasil também tem um grande interesse em aprofundar esse relacionamento com o Irã e aumentar as exportações brasileiras, que foram realmente muito afetadas pelas sanções. Após as sanções contra o Irã, as médias brasileiras de carne, milho, soja e açúcar despencaram 38%. Até alguns anos atrás o Irã era o maior importador de carne brasileira no Oriente Médio. Então, é um mercado muito grande, o país tem uma população muito grande. Assim, é realmente importante para as empresas brasileiras.

    S: Tanto é assim que uma delegação empresarial brasileira já se prepara para visitar o Irã dentro de alguns dias.

    RA: Sim, em outubro uma grande delegação brasileira vai visitar o Irã para firmar acordos comerciais com os iranianos. Com essa crise econômica, o Brasil realmente tem que exportar mais, e com a alta do dólar isso vai ajudar as exportações brasileiras. 

    S: Depois da visita do Ministro Mauro Vieira, agora, e do Ministro Armando Monteiro, em outubro, até finais deste ano ou no início de 2016 é esperada a viagem do ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, ao Irã. Ou seja, Brasil procura intensificar ao máximo suas relações com o Irã.

    RA: Sim, porque as relações entre o Irã e o Brasil estavam muito bem durante a Presidência de Lula, e quando a Presidenta Dilma Rousseff foi eleita pela primeira vez houve um tipo de esfriamento nas relações entre os dois países. Então, eu acho que estamos vendo uma nova fase na diplomacia brasileira, política e econômica, de reanimação dos laços com o Irã.

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    Tags:
    programa nuclear iraniano, Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Conselho de Segurança da ONU, ONU, Manoel Dias, Rasheed Aboualsamh, Armando Monteiro, Mauro Vieira, Dilma Rousseff, Teerã, Brasília, Reino Unido, Alemanha, China, EUA, França, Rússia, Brasil
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