20:23 25 Fevereiro 2018
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    Emigrantes africanos em bote inflável tentam cruzar o Mediterrâneo em direção à Europa

    Mídia: UE aprova ações militares contra traficantes de pessoas perto do litoral da Líbia

    © AP Photo/ Alessandro Di Meo/ANSA
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    A União Europeia aprovou ações militares contra traficantes de pessoas no mar Mediterrâneo, reporta a agência AFP, citando suas fontes.

    As autoridades europeias planejam confiscar e destruir barcos de traficantes de pessoas visando desmantelar as redes que atuam perto da fronteira com a Líbia.

    Em junho, a UE lançou a missão EUNAVFOR MED para identificar, capturar e eliminar navios e recursos utilizados ou suspeitos de terem sido utilizados por contrabandistas ou traficantes de migrantes.

    Desde agora, é permitido deter os navios com migrantes e, se for preciso, destruir essas embarcações.

    "As condições foram acordadas" para começar a nova fase de operação militar, declarou um diplomata europeu à AFP.

    Mesmo assim, a segunda fase da operação, aprovada na segunda-feira, restringe as ações da EUNAVFOR nas águas internacionais. Durante a terceira fase da operação, serão realizadas ações militares contra traficantes de pessoas nas águas territoriais líbias para impedir os barcos de sair do país. 

    Segundo Robert Сrepinko, chefe da unidade de luta contra o crime organizado da Europol (Serviço Europeu de Polícia), "o número de atividades criminosas continua crescendo à mesma velocidade que o número de imigrantes ilegais". 

    Ele acrescentou que, antes da crise migratória, muitos dos traficantes contrabandeavam drogas e que agora contrabandeiam pessoas.

    Apesar disso, o negócio de contrabando de pessoas é lucrativo, e não são só os contrabandistas que lucram com ele mas também o grupo terrorista Estado Islâmico. Segundo disse à Sputnik o especialista Christian Nellemann, chefe do Centro da Análise Global norueguês, os lucros do tráfico de seres humanos, juntamente com outras formas de impostos, têm efetivamente substituído o petróleo como fonte principal de financiamento do grupo terrorista.

    "O Estado Islâmico requer enorme quantidade de fundos, pelo menos um bilhão de dólares anualmente, para gerir o seu negócio porque eles tentam criar um Estado."

    O especialista sugeriu que o EI retira grandes vantagens da crise migratória.

    "O Estado Islâmico usa deliberadamente a tática de atrocidades — atacando civis, realizando massacres, atacando campos de refugiados para aumentar o fluxo de imigrantes", disse.

    A coalizão internacional liderada pelos EUA continua realizando ataques contra o Estado Islâmico, mas, segundo Nellemann, para combater o grupo o Ocidente precisará de ter em conta um vasto leque de questões, inclusive a forma de obtenção de rendas, táticas de recrutamento, propaganda, os regimes corruptos em que opera e a ausência de ordem social em países como a Líbia.

    Mais cedo a Organização Internacional de Migração (IOM na sigla em inglês) divulgou o número de pessoas que em 2015 atravessaram o Mediterrâneo tentando atingir a Europa: 432.761.

    De acordo com dados oficiais, mais de 5 mil pessoas morreram nos últimos 18 meses no Mediterrâneo tentando alcançar asilo na Europa.

    Tags:
    crise migratória, Líbia, União Europeia
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