08:40 19 Novembro 2017
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    Glaceiro no Parque Nacional dos Fiordes de Kenai. 1 de setembro 2015. Seward, Alasca.

    Navios chineses patrulham costa do Alasca

    © AFP 2017/ MANDEL NGAN
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    Os navios da Marinha do Exército de Libertação Popular (ESP) da China navegaram recentemente pela primeira vez junto à costa do estado norte-americano do Alasca, no mar de Bering, cruzando as "águas territoriais dos EUA", divulgou o jornal Washington Post.

    Os especialistas notaram que a aproximação pouco comum dos navios chineses aconteceu na véspera da visita do presidente da China, Xi Jinping, aos EUA. Em setembro, o chefe de Estado chinês participará da sessão da Assembleia Geral da ONU e realizará negociações com o presidente norte-americano, Barack Obama.

    Os analistas militares prestam tanta ou maior atenção aos navios do que à parada militar de 3 de setembro em Pequim, realizada para comemorar o 70º aniversário da vitória do povo chinês na guerra contra o Japão. Eles estão surpreendidos com o aparecimento dos navios no mar de Bering, face à ausência anterior de casos de patrulhamento chinês na região.

    O Washington Post especificou que o grupo de navios do ESP passou a cerca de 12 milhas marítimas das ilhas Aleutas. Os militares norte-americanos admitem que os navios não violaram qualquer lei do direito internacional.

    O lado chinês nota também que o patrulhamento não foi dirigido contra qualquer país. 

    Entretanto o acontecimento pode ser politizado tendo em conta que o presidente dos EUA acabou a visita de trabalho ao Alasca pouco antes o aparecimento dos navios chineses.

    Os navios da Marinha chinesa já têm realizado missões fora das suas costas, por exemplo eles são vistos regularmente no golfo de Áden e no estreito de Malaca, o que ilustra a nova estratégia naval adotada por Xi Jinping logo após a tomada de posse.

    O líder chinês já tem várias vezes mencionado o papel importante que os oceanos exercem no respeito dos interesses econômicos e da segurança nacional da China. O país presta atenção especial ao aumento do potencial chinês na defesa dos seus direitos no mar. Este fato não é surpreendente, tendo em conta que interesses econômicos globais sempre significam o aumento dos interesses políticos e o reforço das marinhas oceânicas.

    A aproximação dos navios chineses à costa do Alasca não está só ligada à estratégia de transformação da China em potência marítima, mas também às recentes divergências sino-americanas sobre o mar da China Oriental. Criticando as tentativas da China de estabelecer a sua soberania sobre o território disputado, Washington fala sobre a falta de liberdade de navegação.

    Ao mesmo tempo, os EUA pararam o patrulhamento na região. Segundo a ordem do secretário de Defesa dos EUA, Ashton Carter, o Pentágono está elaborando um sistema de vigilância eletrônica na zona de 12 milhas marítimas em volta do arquipélago de Spratly (Nansha).

    Pequim parece estar pronto para reagir e mostrar que, de acordo com o direito internacional, pode navegar perto da costa norte-americana. É provável que o aparecimento de navios ao largo da costa do Alasca também reflita a posição da China sobre o desenvolvimento de recursos do Ártico. A situação mostra que a discussão durante a próxima cimeira sino-americana não será fácil.

    Pequim tenta claramente forçar suas posições, tentando empurrar os Estados Unidos para procurar soluções de compromisso na questão da segurança na região Ásia-Pacífico.

    Tags:
    disputa territorial, Xi Jinping, Barack Obama, Mar da China Oriental, China, EUA
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