04:14 24 Setembro 2018
Ouvir Rádio
    Bandeira ucraniana

    Acordo da Ucrânia com credores é vantajoso só à primeira vista

    © AP Photo / Manu Brabo
    Mundo
    URL curta
    5012

    O acordo ucraniano sobre a reestruturação da sua dívida externa não salvará a economia do país, o PIB ucraniano pode baixar 60% até o final deste ano e será de $70 bilhões, segundo a edição britânica The Economist.

    O Fundo Monetário Internacional (FMI) já concedeu 11 bilhões de dólares a Kiev. Porém, para ser digno de crédito e pagar as contas, o Fundo prometeu ceder mais 11 bilhões até o fim de 2018.

    No entanto, de acordo com The Economist, o FMI anunciou algumas condições: a Ucrânia deve baixar a dívida externa em 15,3 bilhões de dólares até 2018 e reduzir a proporção da dívida pública ao PIB para 71% para 2020.

    Tendo em conta a reestruturação, a Ucrânia, provavelmente, conseguirá cumprir a primeira condição, mas não terá êxito na segunda por causa dos ritmos de queda do PIB, diz a edição.

    Além disso, o The Economist sublinha que, no curto prazo, o acordo não melhorará a situação dos ucranianos comuns, que estão hoje “mais pobres do que no final da época soviética”. A moeda ucraniana é muito frágil: a inflação atinge 60%.

    As previsões de longo prazo não são melhores: mesmo se a guerra na Ucrânia acabar amanhã, o país precisará de dezenas de milhões de dólares para recuperar a situação.

    Na quinta-feira (27) a Ucrânia acordou com o grupo de credores um perdão de US$ 3,8 bilhões em eurobonds, ou seja, uma quinta parte da dívida. 

    Assim, a reestruturação da dívida externa ajudará a Ucrânia evitar a moratória de US$ 500 milhões em eurobonds, que Kiev deverá pagar à UE em setembro.

    A dívida pública total da Ucrânia é de 70 bilhões de dólares, dos quais 40 bilhões constituem a dívida internacional.

    Mais:

    Kiev receberá até $300 milhões do Banco Europeu para comprar gás
    Opinião: aproximação da Ucrânia à UE só trouxe problemas
    Ucrânia: acordo trilateral é a única opção para a Rússia
    Tags:
    default, dívida externa, acordo, economia, FMI, Ucrânia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik