13:45 12 Dezembro 2017
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    Esta foto de arquivo mostra um dos primeiros navios da Marinha dos EUA equipada com o sistema Aegis

    “EUA só protegem seus interesses” na Turquia

    © AFP 2017/ US NAVY PHOTO
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    Na quarta-feira (19), as Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram que iriam enviar para o mar Mediterrâneo mais um navio de combate com o sistema de combate Aegis. Isso acontece três dias depois do anúncio de que o contrato para a implantação dos mísseis Patriot na Turquia não seria prolongado e em meio a tensões incrementadas na região.

    De acordo com a comandante Pamela Rowe, representante do exército norte-americano, o novo navio que irá completar o destacamento marítimo mediterrâneo dos EUA é destinado para proteger a Turquia e outros parceiros da OTAN dos mísseis balísticos.

    Mas para Erdogan Karakus, tenente general reformado da Força Aérea turca, a proteção do seu país não é o objetivo central dos atuais deslocamentos de material bélico estadunidense:

    “Os EUA se esforçam, principalmente, para proteger o seu radar em Malatia e a base em Incirlik, mas não o território turco como um todo. Nós todos lembramo-nos do incidente com aquele projétil sírio que caiu no território da Turquia [em março de 2015]. Então, ficou claro que os Patriot não podem absolutamente nada frente a tal ameaça. Mais ainda, ficou claro que eles só protegem um território muito limitado, que só abrange as áreas onde material bélico americano está implantado”.

    Karakus, que é também o chefe da Associação de Oficiais Reformados da Turquia, acredita que portanto, os Aegis não defendem os interesses turcos, senão os norte-americanos e israelenses.

    A retirada dos Patriot da região pelos EUA e pela Alemanha, junto com a redução do contingente militar da OTAN na Turquia, veio no final da semana passada em um ápice da tensão no governo turco por causa dos rebeldes curdos, que Ancara considera como a sua ameaça principal.

    A presença dos EUA na base aérea de Incirlik, no sul da Turquia, desde o início de agosto, foi justificada pela participação direta da Turquia de combates contra o Estado Islâmico, grupo terrorista cuja atuação é proibida na Rússia e em uma série de outros países.

    Em 20 de julho, um atentado terrorista perpetrado por um simpatizante do Estado Islâmico marcou o início dos ataques deste grupo em solo turco. Uns dias depois, as Forças Armadas da Turquia ficaram envolvidas em um tiroteio transfronteiriço com unidades do Estado Islâmico situadas na Síria. Ancara pediu apoio aos EUA, que aceitaram o convite implantando seu pessoal militar e material bélico em bases como Incirlik e outras.

    Aquela semana estava salpicada com combates com os terroristas e ataques a militantes do Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK), movimento político armado que acusa o governo atual de não implementar nenhuma medida de segurança em relação à minoria étnica curda, presente na Turquia, na Síria e no Iraque.

    No Iraque, unidades de milícias curdas, chamadas peshmerga, são uma contribuição importante para o combate ao Estado Islâmico, que considera os curdos como inimigos, por serem infiéis.

    Se os braços armados da minoria curda na Turquia (como o PKK) realmente atacam o governo e a polícia turca (em 22 de julho, dois policiais turcos foram mortos por militantes curdos em “vingança” depois do atentado do dia 20, supostamente por não terem feito nada para prevenir a explosão), o governo do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), cujo presidente é o do país, Recep Tayyip Erdogan, prefere omitir este problema. Tal é a opinião do deputado Ali Haydar Oner, ex-membro do Comitê para Assuntos de Segurança e Inteligência da Turquia:

    “Agora, o senhor Erdogan, que outrora lançara, para aumentar o seu eleitorado, o processo de regulação política do problema curdo, resolveu subitamente terminar este processo. Contudo, a causa foi a mesma – para cobrar mais votos. Os líderes de Estados sérios não fazem isso”.

    Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia
    © REUTERS/ Umit Bektas
    Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia

    Já o doutor Oya Akgonenc Musiguddin, conselheiro do presidente do partido turco Saadet para assuntos internacionais, acredita que os rebeldes armados curdos também são de culpar: “O povo viu que o terror, aproveitando o vácuo de poder no país, não fez senão aumentar <…> semelhantes ações dos militantes irão se refletir da maneira mais negativa nas iniciativas políticas curdas”.

    Por sua parte, o pesquisador Garrett Jenkins do Programa de Estudos da Rota de Seda da Universidade John Hopkins, disse à Sputnik que “Erdogan minou o diálogo sobre a coalizão [de vários partidos no governo], lançando mão da sua influência no AKP e apelando [os membros do partido] a não criar coalizão, na esperança das futuras eleições que, como tornou-se conhecido na manhã de hoje, terão lugar em 1 de novembro”.

    Os EUA e outros países que participam da coalizão anti-EI não querem se ver envolvidos em uma tensão interna da Turquia que não serve nem para a solução do problema terrorista, nem para a proteção dos interesses do Ocidente.

    A Rússia também tem instado todas as partes a unirem os seus esforços no combate ao Estado Islâmico no Oriente Médio, deixando as contas sem acertar para depois.

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    Tags:
    curdos, terrorismo, Estado Islâmico, Recep Tayyip Erdogan, Curdistão sírio, Curdistão iraquiano, Mar Mediterrâneo, Turquia, Iraque, Síria, EUA
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